Viver de bem com a vida – II

Caríssimos leitores,

O tempo passa rapidamente. Já estamos na metade do mês de novembro, de um ano atípico. Espero encontrá-los bem, com a graça de Deus. Ainda sobre o tema comportamento humano, hoje vou relatar uma história que tem um fundamento essencial para quem quer vencer nesta nova fase que todos estão vivendo.

Um homem morava numa cidade grande e trabalhava numa fábrica. Todos os dias ele pegava o ônibus das 6h15 e viajava cinquenta minutos até o trabalho. À tardinha fazia a mesma coisa voltando para a casa. 

No ponto seguinte ao que homem subia, entrava uma velhinha, que procurava sempre sentar na janela. Abria a bolsa tirava um pacotinho e passava a viagem toda jogando alguma coisa para fora do ônibus

Um dia, o homem reparou na cena. Ficou curioso. No dia seguinte, a mesma coisa.

Certa vez o homem sentou-se ao lado da velhinha e não resistiu:

– Bom dia, desculpe a curiosidade, mas o que a senhora está jogando pela janela?

– Bom dia, respondeu a velhinha. – Jogo sementes.

– Sementes? Sementes de que?

– De flor. É que eu viajo neste ônibus todos os dias. Olho para fora e a estrada é tão vazia. E gostaria de poder viajar vendo flores coloridas por todo o caminho. Imagine como seria bom.

– Mas a senhora não vê que as sementes caem no asfalto, são esmagadas pelos pneus dos carros, devoradas pelos passarinhos. A senhora acha que essas flores vão nascer aí, na beira da estrada? 

– Acho, meu filho. Mesmo que muitas sejam perdidas, algumas certamente acabam caindo na terra e com o tempo vão brotar. 

– Mesmo assim, demoram para crescer, precisam de água…

– Ah, eu faço minha parte. Sempre há dias de chuva. Além disso, apesar da demora, se eu não jogar as sementes, as flores nunca vão nascer.

Dizendo isso, a velhinha virou-se para a janela aberta e recomeçou seu “trabalho”.

O homem desceu logo adiante, achando que a velhinha já estava meio “caduca”.

O tempo passou…

Um dia, no mesmo ônibus, sentado à janela, o homem levou um susto, olhou para fora e viu margaridas na beira da estrada, hortênsias azuis, rosas, cravos, dálias. A paisagem estava colorida, perfumada, linda. O homem lembrou-se da velhinha, procurou-a no ônibus e acabou perguntando para o cobrador, que conhecia todo mundo.

– A velhinha das sementes? Pois é, morreu de pneumonia no mês passado.

O homem voltou para o seu lugar e continuou olhando a paisagem florida pela janela. “Quem diria, as flores brotaram mesmo”, pensou. “Mas de que adiantou o trabalho da velhinha? A coitada morreu e não pode ver esta beleza toda”.

Nesse instante, o homem escutou uma risada de criança. No banco da frente, um garotinho apontava pela janela entusiasmado: Olha, mãe, que lindo, quanta flor pela estrada… Como se chamam aquelas azuis?

Então, o homem entendeu o que a velhinha tinha feito. Mesmo não estando ali para contemplar as flores que tinha plantado, a velhinha devia estar feliz.

Afinal, ela tinha dado um presente maravilhoso para as pessoas.

No dia seguinte, o homem entrou no ônibus, sentou-se numa janela e tirou um pacotinho de sementes do bolso.

Não esqueçam: Amizade também é assim, se a cultivarmos sempre, um dia irá florescer.

“Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.”

É isso aí queridos leitores. A cada dia temos a oportunidade de mudar o mundo e fazer a diferença para as pessoas, basta ter um sonho e agir.

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Caio Vinícius Dellagiustina

Jornalista

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