Vereador forja notícia, cita verba que não veio para a cidade e é desmentido por secretário

O que leva um vereador a faltar com a verdade com o povo que o elegeu? Essa é uma das perguntas que o vereador Henrique Balseiros precisa responder.

Nesta semana, o vereador do Partido Liberal (PL), que está em seu primeiro mandato, foi desmentido pelo secretário de Obras a respeito de ter sido barrado na Garagem Municipal.

O fato teve início na semana passada, quando Balseiros, ao fazer uso da Tribuna Livre na Câmara, disse ter sido impedido de entrar na secretaria de Obras para fiscalizar os veículos da garagem municipal.

Porém, existe um áudio do secretário de Obras de Salto, Sandro Stivanelli, enviado ao prefeito, revelando que o vereador não só foi até a Garagem como também acabou recebido pelo próprio secretário, acompanhado do chefe de gabinete. No mesmo áudio, o secretário conta que Henrique entrou no local e conheceu toda a dinâmica e logística da secretaria. “Ele saiu daqui satisfeito com o que viu e ficamos de marcar uma visita para ele conhecer o pátio. Ele (Henrique) disse que não conhecia o trabalho que fazíamos, todo o planejamento ele desconhecia. Não entendi essa posição de ele ter falado que foi impedido”, destaca Sandro no áudio.

Na sessão do Legislativo saltense desta semana, o líder do prefeito na Casa, Gideon Tavares comentou a questão, mas Henrique Balseiro não tocou no assunto.

Vereador não fala com a imprensa

Os fatos envolvendo Henrique Balseiros começaram há algum tempo. No final de julho, o vereador fez uma postagem em suas redes sociais, fazendo uma citação de que qualquer cidadão poderia recorrer de multa entrando em seu site. Porém, quando a pessoa acessa o site do vereador, existem duas abas, uma que direciona para a página da Prefeitura e outra, um pouco mais abaixo, em que aparece um link, onde a pessoa pode entrar em contato, de forma imediata, com o vereador. O curioso é em outros serviços que Henrique disponibiliza em seu site, como as vagas de emprego do PAT, por exemplo, não existe o mesmo link para acesso ao WhatsApp do vereador.

O PRIMEIRAFEIRA questionou o vereador se esse tipo de serviço é função do cargo que ocupa, mas Henrique Balseiros se recursou a responder o questionamento.

Outro ponto que chamou a atenção foi uma postagem feita por Henrique Balseiros, também em suas redes sociais, onde o vereador simula uma notícia que o cita, na terceira pessoa. O fato ocorreu em 15 de agosto e diz respeito a um projeto de Lei que seria levado à Câmara pelo vereador propondo multa ao cidadão que for flagrado jogando lixo no chão.

A notícia foi fabricada pelo próprio vereador e não foi veiculada por nenhum órgão de imprensa. Chama a atenção o fato de o vereador falar dele mesmo em terceira pessoa.

A reportagem do PRIMEIRAFEIRA constatou que até o presente momento o tal projeto sequer deu entrada na Câmara. Já o vereador, ao ser questionado em qual órgão de imprensa havia sido publicada a tal matéria e o dia em que foi feito, mais uma vez não respondeu.

Porém, ao verificar a página do vereador no Facebook é possível ver outras postagens a respeito de Henrique, que induzem o internauta a pensar que são notícias publicadas pela imprensa.

Em um dos casos, o vereador faz uma cobrança à Prefeitura sobre o fato de não ter apresentado o destino de uma verba de R$ 700 mil que teria sido disponibilizada por um deputado estadual. O PRIMEIRAFEIRA foi atrás dos fatos e descobriu que a verba ainda não foi liberada ao município.

PL se posiciona

Henrique Balseiros foi eleito pelo PL, partido que tem como presidente do diretório municipal o prefeito Laerte Sonsin. Porém, as atitudes do vereador, desde o início do mandato, demonstram que o mesmo age como oposicionista dentro do Legislativo.

O PRIMEIRAFEIRA conversou com representantes do Partido Liberal nesta semana para saber qual a análise que o partido faz das atitudes de Balseiros. Em resposta, o partido lamentou as atitudes do vereador.

Questionado se Henrique Balseiros pode ser expulso do partido pela conduta que vem adotando neste início de mandato, o partido desconversou. “Não pensamos nisso”.

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