Tijolos/Coleções/Fontes Históricas – III

Continuação…

Terceiro tijolo:

O “B” inscrito no tijolo, se és saltense, já deve ter imaginado de onde seja, se pensou Brasital, acertou!

Encontrei há alguns anos quando faziam uma reforma em uma das casas que outrora serviam de moradias aos chefes da antiga empresa e hoje é dependência da faculdade Cruzeiro do Sul. Passei de moto com meu irmão e ao encontrar uma caçamba de entulhos percebi que havia ali alguns tijolos antigos, peguei um e seguimos embora. Fico até hoje imaginando o que o pedreiro pensou naquele momento.

Veja o que diz o site do CONDEPHAAT sobre a antiga Fábrica de Tecidos:

“O conjunto das antigas instalações produtivas da Fábrica de Tecidos Brasital marca a paisagem urbana e cultural do município de Salto, sendo ponto de referência na margem direita do Tietê. Foi inicialmente erguido a partir das incorporações das fábricas de José Galvão e de Barros Júnior. O empreendimento foi adquirido pela “Società per l’Industria Italo-Americana” entre os anos 1904 e 1919, dando origem à Brasital S.A. (1919-1981). A fábrica ainda pertenceu ao Grupo Santista antes ser desativada, em 1995. Sob o controle da Brasital S.A., o primordial núcleo produtivo adquiriu as características e a denominação que o definem como um conjunto arquitetônico de tipologia industrial até hoje. Nesse período, além da expansão do setor produtivo, a fábrica também se estendeu física e economicamente pela cidade, com a edificação de estruturas destinadas à continuidade da produção, como armazéns, escola, creche e vilas operárias. A trajetória centenária dessa fábrica se confunde com a própria história da produção algodoeira no país, com as etapas da industrialização no interior de São Paulo e com os processos econômicos e sociais que impulsionaram o desenvolvimento da região. Por essas e outras razões, a Fábrica de Tecidos Brasital foi reconhecida como um representativo exemplar do patrimônio industrial paulista.”

Quarto tijolo:

“L.R” são as inicias de Lúis Roncoletta. O Tijolo foi doado para mim pelo amigo, também professor e historiador Natan Coleta. Ao consultar o Prof. Ferrari, esse me informou por e-mail que: “Roncoletta fora qual um precursor das cerâmicas em Salto, tendo há muitos anos formado a conceituada Cerâmica São Bento, cujos tijolos, ainda hoje, se vê nas antigas construções, com as iniciais L R. ou R L. Foi casado com Dona Brasília Roncoletta. O casal teve duas filhas e um filho. O filho tornou-se famoso pintor, com o nome artístico de LUBRA (LU de Luís e BRA- de Brasília). Todos são falecidos. Seu sucessor na conceituada Cerâmica fora o Sr. Manoel Fernandes, seu genro. Hoje, a referida Cerâmica está desativada há anos e no local foram abertos loteamentos.”

Procurei expressar aqui um gosto por colecionar tijolos, uma maneira de expressar possibilidades de trabalho ao vislumbrar os objetos como fontes históricas e, a partir deles, questionar e desenvolver estudos sobre a história da cidade em sua mais variada esfera. Muitos outros da coleção ainda aguardo confirmações para saber de quem eram e seus significados. Um trabalho de pesquisa que demanda tempo, mas é muito prazeroso.

O texto completo e as referências bibliográficas podem ser acessadas pelo site da Academia Saltense de Letras (www.asle.net.br).

Bom fim de semana a todos!

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