Sentiremos saudades, dona Ermida

Meu amigo leitor e amiga leitora, você estava acompanhando uma série de prosa sobre compositores ituanos como comemoração do aniversário da cidade no dia dois de fevereiro, porém, interrompo a série de textos para prestar aqui no dedinho de prosa uma homenagem para uma pessoa muito especial em minha vida que acabou sendo chamada por Deus na manhã do último dia dezenove, minha avó de consideração: dona Ermida Pasquilini Correa.

Eu sempre disse que tenho o privilégio de ter três avós, a materna, a paterna e aquela que conheci aos treze anos de idade, quando minha mãe se casou com seu filho, Edson Pasquilini Correa, alguém que tenho consideração como pai. Foram quinze anos da minha vide que estive literalmente ao lado de dona Ermida, a casa dela e do senhor Arnaldo Correa (1941-2013) era ao lado da nossa, apenas um pequeno muro separava os dois imóveis que, aliás, meu trânsito entre as casas era frequente, um dos motivos foi que meu quarto esteve por um bom tempo localizado na casa do estimado casal.

Dona Ermida estava sempre sorridente, nunca reclamava de nada, havia uma preocupação em nos deixar preocupados com seus possíveis problemas, muitas vezes precisávamos perguntar várias vezes até ela dizer se algo a estava incomodando, afinal, devido sua idade, é natural que os cuidados tenham que ser redobrados.

Mas havia muitos outros motivos que me levavam até a casa da Ermida, os pães caseiros, bolos, biscoitos, tudo feito no forno e em grande quantidade. Dona Ermida era generosa, quando o assunto era comida, não tinha medida, o café da tarde na casa dela sempre foi muito farto. Escrevo o texto, as lágrimas aparecem nos olhos e me vem o gosto do pão de cebola que ela fazia, que delícia! Um jovem que não gostava de cebola (como eu) come um pão delicioso daquele e vai descobrir o ingrediente anos depois, aí já era tarde, dona Ermida e seu pão me conquistaram.

Há alguns anos, junto aos seus filhos e suas noras, ela mudou-se para o estado de Santa Catarina, meus filhos nasceram, veio a pandemia, ela os via por fotos ou vídeos, não chegou os conhecer pessoalmente, mas estava sempre perguntando, rezando por eles (era muito religiosa, todo dia rezava o terço junto ao canal de TV), eu, como pai, sentia o amor de bisavó que ela tinha por Matias e Guillermo. Notei, enquanto escrevo este texto, que nunca vi dona Ermida chorar, sempre muito forte, muito ativa.

No último dia dezenove, Deus a chamou, cinco dias após completar setenta e seis anos de idade, deixou uma marca importante em nossas vidas, contribuiu para que eu seja quem eu sou hoje, ficam todas as boas lembranças na certeza que um dia nos encontraremos novamente.

Tenho muito mais a falar ou escrever sobre ela, mas o espaço aqui não me permite, fica registrado minha homenagem e minha saudade.

Um bom fim de semana a todos.

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