Secretário da Cultura prepara ação pedagógica para o Carnaval com os “Bonecões da Barra”

Salto não terá Carnaval em 2021, mas a data não irá passar em branco. O secretário de Cultura, Oséas Singhi Jr., preparou uma ação que servirá como conscientização pedagógica, envolvendo a pandemia e também a folia de momo. “Já é oficial, não irá ter (o Carnaval). Mas para não passar em branco, vamos passar uma mensagem de otimismo e pedagógica. Iremos pegar os Bonecões da Barra, que estão guardados na Abadia, eles vão ser limpos, reformados, e iremos colocar em praça pública. Todos os Bonecões estarão com máscara de Covid-19 e terão uma placa com os seguintes dizeres: ‘Previna-se. Haverá outros carnavais’”, revela.

Segundo o secretário, as pessoas que passarem por esses locais poderão interagir com os Bonecões e tirar fotos. “Também vamos colocar o Bonecão mais antigo da cidade em exposição no Museu”, diz.

Diferente de algumas cidades, como São Paulo, que pretende realizar o Carnaval em outra data, em Salto a ideia é planejar a folia apenas para 2022. “A princípio não temos ideia de mudar o Carnaval para o meio do ano. Nossa ideia é preparar o Carnaval para 2022, quando esperamos que a pandemia já tenha passado”, explica Oséas, detalhando que para o próximo ano haverá uma ação diferenciada envolvendo os saltenses.

“Para o ano que vem vamos trabalhar bonecos novos, através de oficinas. Ao invés de contratar um profissional de fora, nossa ideia é que, na reforma administrativa, o Marcelo Pransteter venha trabalhar com a gente. Ele foi o responsável pela criação (dos Bonecões) e queremos que ele realize oficinas para que as crianças façam os Bonecões, pois isso irá gerar o sentimento de pertença”, conta.

Situação do Conservatório preocupa

Outro ponto importante destacado pelo secretário da Cultura envolve o Conservatório Municipal de Salto. De acordo com Oséas Singhi Jr., a situação atual do prédio é precária, principalmente com infiltrações provocadas pela chuva. “A situação é grave. Praticamente todos os prédios da secretaria (da Cultura) estão com infiltrações. Mas no Conservatório é pior. Por exemplo, chove dentro da sala de ballet, que é de madeira nobre. Neste momento estou dando uma importância muito grande ao Conservatório. Sei que é difícil, mas vamos tentar recuperar esse tempo perdido de investimento”, pondera.

Oséas explica o prédio atual do Conservatório não comporta mais a quantidade de pessoas que passam por lá e que a meta é encontrar um novo espaço. “Nosso objetivo é tirar o Conservatório de lá. Estamos levantando outro local que possa abrigar o Conservatório. Hoje, a quantidade de salas para aulas é pequena e inadequada. E é bom deixar claro que no plano de governo do prefeito Laerte está preconizado um novo conservatório municipal. Estou tentando tornar isso urgente”.

O secretário também explicou que já nessas duas primeiras semanas de trabalho promoveu reuniões de motivação pessoal com os professores do Conservatório Municipal. “Encontramos os professores muito desmotivados, senti muita revolta na primeira reunião. Tomamos algumas atitudes em que eles viram que pensamos diferente. Por exemplo, pela primeira vez na história do Conservatório faremos eleição para a escolha do coordenador pedagógico, que vai cuidar da parte artística. Os professores vão escolher quem vai coordenar entre eles, em uma eleição secreta”, destacou.

Oséas revela que o Conservatório saltense é sua “menina dos olhos” e que há muito a ser feito em benefício da cultural saltense. “Ali tem uma qualidade profissional, com professores pós-graduado na Espanha e em outros países, com uma qualidade musical muito forte. Esse pessoal precisa ser respeitado, ser ouvido em suas demandas. O Conservatório é uma joia que precisa ser lapidada. Foi esquecido durante muito tempo e vamos recuperar isso”.

Nos últimos dias, o secretário deu início a um projeto, junto ao Proac (Programa de Ação Cultural) visando recuperar alguns instrumentos. “Precisamos reformar alguns instrumentos e alguns são muito caros, como o piano de cauda que existe lá no Maestro Gaó (anfiteatro). Isso demanda muita verba e é provável que nosso orçamento não dê, então vamos buscar uma verba estadual, através do Proac, que tem contemplado muitos projetos nesse sentido”.

Para o futuro, Oséas sonha em resgatar as origens do prédio onde hoje se encontra o Conservatório Municipal. “O Conservatório não nasceu lá. Ali era o Hotel Saturno que a gente tem ideia de recuperar mais pra frente. Não consta no plano de governo, mas vamos tentar recuperá-lo através de verba do Pronac ou do Dade, para que ele fique como era em 1897, quando foi fundado pelo Saturno Begossi”.

Aulas de música

Diante da situação atual, o secretário da Cultura precisou tomar algumas medidas em relação ao funcionamento do Conservatório. Uma deles envolve a questão das aulas. “Está difícil fazer um planejamento sem ter certeza do que vamos poder realizar. Decidimos que o Conservatório não vai abrir novas vagas, apenas alguns instrumentos que estão com falta de alunos terão vagas disponíveis. (instrumentos de sopro)”, revela.

Porém, Oséas explica que a lista de espera é grande e que serão priorizados alunos saltenses. “Hoje o Conservatório tem uma lista de espera de mil alunos. A medida que tomamos foi deixar de stand-by os alunos que são de fora de Salto e vamos priorizar os alunos de Salto e também a situação sócioeconômica. Porque tem muita gente que estuda e pode pagar uma aula particular, mesmo porque as escolas particulares de música também precisam de alunos. É claro que se houver uma vaga de um instrumento que ninguém queira, aí sim pode ser um aluno de fora”.

O secretário disse ainda que os alunos iniciantes de musicalização infantil serão quase na totalidade formada por crianças residentes em salto com situação sócioeconômica precária ou moderada. “Pode parecer uma atitude bairrista, mas temos uma lista de espera enorme e muita gente reclamando que não tem vaga. Como o Conservatório é custeado pelo município é lógico que quem paga imposto aqui tenha direito primeiro”, completou.

Oséas revelou também que existe a possibilidade de que as aulas presenciais sejam retomadas no Conservatório, inclusive com algumas delas ocorrendo ao ar livre.

Palma de Ouro

Considerada uma das principais salas de espetáculo da região, a Palma de Ouro também apresenta problemas com infiltração. “Está chovendo próximo a caixa de energia”, cita Oséas. O trabalho está voltado para a regularização do espaço, mas o secretário anunciou que o espaço voltará a ser utilizado a partir de fevereiro.

“Em fevereiro temos previstas duas programações. Uma certa e outra que está para ser definida. Vamos ter um workshop de dança, sem público, voltado apenas para os alunos que são bailarinos, seguindo todos os protocolos de saúde. E também terá outro workshop, que será finalizado com um espetáculo. Mas esse só será definido próximo do evento, para saber como será a ocupação do teatro. Se haverá liberação de uma cadeira sim, outra não. Vamos adequar o público a condição daquele momento”, conta.

Assim como vem ocorrendo em algumas cidades do Estado, em que as salas de espetáculo voltaram a receber público, com capacidade reduzida, o secretário não descarta que o mesmo possa ocorrer em Salto. “Sobre shows e peças de teatro, a partir de março podem voltar a acontecer, mas irá depender da situação de controle do Covid-19. Vamos seguir a orientação do Governo do Estado. Se falar que sim, vamos fazer, porque espetáculo não falta. A procura é intensa”, frisa.

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