Salto vê número de divórcios aumentar durante pandemia

Marcado pelo início da pandemia do coronavírus (Covid-19), 2020 foi o ano com maior número de divórcios na cidade de Salto desde 2017. Os dados foram levantados pelo PRIMEIRAFEIRA junto ao CNB/SP (Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo).

Desde que a pandemia teve início, em março de 2020, Salto teve 14 casais que se divorciaram oficialmente. O número é 50% maior que o contabilizado no mesmo período de 2019, quando a cidade teve oito casos.

O CNB/SP aponta a pandemia como um dos principais fatores que motivaram esse aumento. “Os dados computados pelos tabelionatos paulistas são números que nos levam a crer que a pandemia de Covid-19 teve influência sobre os casais”, afirmou Daniel Paes de Almeida, presidente do órgão.

De acordo com ele, o colégio tem percebido uma “demanda crescente” desde maio, quando o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) autorizou a realização de todos os atos notariais por videoconferência.

Em Salto, de acordo com o CNB/SP, o “pico” de divórcios ocorreu em dezembro, quando seis atos foram oficializados. Já em 2021, nos primeiros três meses do ano, Salto teve quatro divórcios registrados (um em janeiro, um em fevereiro e dois no mês de março). O número de casais que desfizeram a união em 2020 só perde para o ano de 2017, quando houve 18 atos (recorde da cidade), sendo 16 no período entre março e dezembro.

Região

Na contramão dos casos, aparecem as cidades de Itu e Indaiatuba, que viram o número de divórcios diminuir durante a pandemia.

Em Itu, por exemplo, foram 50 atos confirmados entre março e dezembro de 2020. No mesmo período de 2019, a cidade teve 56 divórcios registrados, o que representa uma queda de aproximadamente 11%.

Já em Indaiatuba a queda foi um pouco menor. Entre os meses de março e dezembro de 2019, a cidade teve 71 divórcios registrados. No ano passado, esse número caiu para 65, o que significa uma redução de 8,5% dos atos.

Advogada em direito de família crê que número real seja ainda maior

Segundo a advogada Cássia Cristian Paulino, que atua na área de direito de família, o número de divórcios, na prática, possa ter sido ainda maior que o registrado. “Quando pensamos no assunto ‘divórcio’, não podemos considerar apenas os números divulgados, tendo em vista que muitos casais desfazem os casamentos ou ainda a união estável e não oficializam, talvez por conta da burocracia ou ainda das condições financeiras, e decidem prorrogar a formalização desta decisão”, pondera.

Ela acredita que a pandemia provocou mudanças no convívio entre casais, o que pode ter causado separações. “A pandemia do Covid-19 foi a causadora de inúmeros divórcios, no Brasil e no mundo, devido ao isolamento necessário para a contenção dos vírus, de forma que as famílias passaram a ter um maior período de convivência doméstica, inclusive com muitas pessoas trabalhando em casa ou home office, como popularmente conhecido. O convívio que antigamente se restringia aos fins se semana, às vezes somente nos domingos, passou a ser constante, e sem ‘pausas’, tornando as características do companheiro(a) mais evidentes, as oscilações de humores, aliados às características individuais, como medo ou a real perda do emprego, as dificuldades financeiras e emocionais, o receio de contrair o vírus, todos esses fatores deixaram as pessoas extremamente sensíveis e irritadiças e bem menos empáticas, ocasionando um considerável aumento nos casos de divórcios oficializados, e, consequentemente, também naqueles não computados”, comentou.

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