Salto recebe o Conde. Castellari quem me contou

Quando uma autoridade política visita uma cidade do interior, aquilo vira um evento. Acontece uma grande mobilização, muitos vão até a pessoa para tirar fotos e registrar aquele momento, algum tempo depois (ou imediatamente), o registro aparece nas redes sociais.

Pois bem, no dia 18 de outubro de 1874, Salto, que ainda não era emancipada de Itu, recebia a visita de Gastão de Orleans, o Conde d’Eu, conforme registrou o jornal “O Ytuano” na edição de 23 de outubro daquele mesmo ano:

“S.A. o sr. Conde d’Eu – Conforme annunciamos, chegou S. Alteza á esta cidade, em trem especial, no dia 18 ás 5 horas da tarde, acompanhado do conde du Barral, dos engenheiros D. M. Fox, Rapozo, e Porfirio de Lima.”

O trem veio de Jundiaí e levou cerca de duas horas e meia para chegar. O Conde parou na cidade para apreciar as paisagens oferecidas pela natureza e, principalmente, observar a queda d’água do Rio Tietê, a maior de todo o percurso do rio paulista.

Gastão de Orleans era neto do rei da França e casado com a princesa Isabel, filha de D. Pedro II que, caso não houvesse acontecido a Proclamação da República em 1889, seria a sucessora no trono daquele antigo Brasil monárquico. Foi por intermédio de seu tio, o rei de Portugal, que Conde d’Eu se casou com a princesa do Brasil, sendo esses casamentos arranjados algo comum para a época.

Para a chegada do conde, a estação estava toda enfeitada com bandeiras e duas bandas o esperavam para a recepção, sendo uma delas formada por alunos do Colégio São Luiz, de Itu. Segundo o jornal, as pessoas ali aglomeradas saudavam com vivas e aplausos o nobre Gastão. A chuva atrapalhou um pouco as manifestações de alegria da população.

A hospedagem foi oferecida pelo então presidente da Companhia Ituana, o senhor Dr. Francisco Xavier Paes de Barros que, no dia seguinte, levou o Conde d’Eu para conhecer a Matriz de Itu, o Colégio São Luiz, o hospital de Misericórdia, entre outros locais da cidade.

A visita, segundo o jornal consultado, foi muito rápida e “inesperada” (apesar da presença das bandas e os enfeites já na estação deixarem tal fato controverso) e, após uma noite de discursos no dia 22, na manhã seguinte o conde parte para Jundiaí, retornando de sua viagem acompanhado de pessoas que o seguiram até a estação e, no trem, o senhor Paes de Barros.

Sobre a visita do Conde… foi Castellari quem me contou.

Um bom fim de semana a todos.

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