Saltenses retratam a situação do coronavírus em várias partes do mundo

Com o aumento no número de casos suspeitos e confirmados, além das primeiras mortes confirmadas, o Brasil vive hoje o que alguns países da Ásia e da Europa viveram semanas atrás. Hoje, o cenário no exterior é ainda mais caótico. Na Europa, especialmente, alguns países promoveram um verdadeiro toque de recolher, obrigando a população a ficar em casa, sob pena de multa caso descumpram as medidas. Em outros, apesar da livre circulação, há muitas restrições em espaços com possível aglomeração de pessoas e as recomendações básicas da Organização Mundial da Saúde, em higienizar-se constantemente.

O PRIMEIRAFEIRA conversou nesta semana com saltenses ao redor do mundo, seja morando ou viajando, para saber como estão enfrentando e como estão combatendo o surto do coronavírus.

Tailândia

Com 272 casos confirmados, 42 pacientes recuperados e apenas uma morte registrada, a Tailândia conseguiu manter o controle da situação no país, mesmo estando localizada muito próxima da China. O casal Rogério e Ana Paula, que viaja o mundo desde 2019 e retratam suas experiências em suas redes sociais, está em Chiang Mai, no norte da Tailândia, há pouco mais de 2 mil quilômetros de distância de Wuhan, epicentro da epidemia. Segundo eles, não há nenhum tipo de histeria no país. “O pessoal não está naquela neura. Tem algumas pessoas usando máscaras, mas outras não. O que estão recomendando, sobretudo aos turistas, é o uso do álcool em gel. Em todos os templos, shoppings e aeroportos, pedem para que passemos o álcool em gel. Não existe histeria, mas existe preocupação”, disse Ana Paula. Também não há nenhum tipo de demanda exagerada de produtos ou filas enormes nos mercados. “Eles estão com a mentalidade de: ‘Se eu estocar, vai faltar para alguém’”

O casal também notou que, apesar de não haver restrições fronteiriças, é notável a redução no número de turistas da China, Japão e outros países asiáticos. “Normalmente eles são maioria, mas hoje é difícil vê-los”.

Itália

Vivendo o ápice da pandemia, o casal Mariani e Cleiton, que mora em Bologna, na Itália, há cerca de dois anos, retratam uma situação caótica no país, com todos os comércios fechados, empresas paradas e fiscalização nas ruas para evitar o trânsito de pessoas, que deverá perdurar, ao menos, até o dia 3 de abril.

“Bologna é uma cidade muito viva, considerada uma cidade gastronômica, mas hoje, com a situação que o coronavírus, está deserta. Todos os comércios estão fechados, exceto supermercados e farmácias; algumas empresas pararam suas atividades por tempo indeterminado; e não podemos sair na rua por qualquer razão. São aceitas saídas somente para fins de trabalho, ir ao mercado ou ao médico. É necessário sempre levar consigo uma auto declaração onde você admite que está ciente das penalidades caso esteja fora de casa por qualquer outro motivo que não os citados”, contam.

“As mudanças no cotidiano foram radicais, porem necessárias, mas esperamos que possamos retornar ao normal em breve!”. No país são mais de 40 mil casos confirmados e 3.300 mortes.

Espanha

A situação é muito parecida com a enfrentada por Andreia Neira, que vive em Santiago de Compostela, na Espanha, na qual a população não pode sair às ruas desde o último sábado (14). “Espero que a situação caótica que vivemos não chegue ai (no Brasil). Estamos trancados em casa, não podemos sair para nada. O exército e a polícia estão nas ruas; bares e restaurantes estão fechados; e apenas os supermercados estão abertos, mas você não encontra nada. Olho pela janela e vejo apenas os pássaros”.

Por outro lado, a população espanhola tem adotado uma medida para se unir e valorizar os profissionais de saúde. Todos os dias, as pessoas saem às janelas às 20h, para aplaudir os funcionários do sistema de saúde. A Espanha é o quarto país com mais casos registrados, com quase 18 mil pessoas infectadas e mais de 800 mortes.

Irlanda

Vivendo em Galway, na Irlanda, o comissário de bordo ferroviário, Lucas Rodrigues, ainda não enfrenta a proibição de andar nas ruas, mas assim como em muitos países, foi determinado o fechamento de escolas e faculdades, bares, restaurantes, além do desabastecimento em supermercados. No trem em que trabalha, dos 500 lugares que facilmente eram ocupados, haviam cerca de seis pessoas. “A situação aqui está ficando estranha. O pessoal está bem preocupado com o que está acontecendo. Mas são medidas drásticas que estão sendo tomadas e o pessoal tem ficado em casa”, relata. Até quinta (19), a Irlanda registrava 366 casos com duas mortes confirmadas.

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Caio Vinícius Dellagiustina

Jornalista

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