Prefeito se diz preocupado com crescimento da pandemia e pede colaboração da população

A cidade de Salto, assim como o Estado de São Paulo, enfrenta o pior momento da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Desde a última segunda-feira (1º), o número de casos explodiu e a situação beira o colapso. O Hospital Municipal precisou disponibilizar todos os leitos de UTI para tratamento da Covid-19. Com isso, cirurgias eletivas precisaram ser adiadas. A contaminação cresceu entre os jovens. As aglomerações continuam e, se a situação não melhorar, a cidade não terá mais leitos para os que precisam de internação.

Para piorar, embora não se saiba se a cidade já registra a nova variante da doença, quase que a totalidade de pessoas que estão sendo internadas na UTI entram em óbito. O cenário é assustador!

A partir deste final de semana todo o Estado entra na chamada “Fase Vermelha”. O “toque de restrição” será antecipado das 23h para as 20h. Tudo para que a circulação de pessoas seja reduzida ao máximo.

Na noite da última quarta-feira (3), o prefeito Laerte Sonsin conversou, com exclusividade, com a reportagem do PRIMEIRAFEIRA. Falou abertamente sobre a situação e explicou outras situações envolvendo desde a vacinação até mesmo a questão do hospital da cidade.

Reunião com o governador

“Foi uma reunião com o governador, vários secretários e diversos prefeitos. Tinham 611 municípios representados. O governador nos passou a situação crítica que o estado está vivendo de ocupação excessiva de leitos de Covid-19, principalmente de UTI, em razão da explosão de casos dos últimos dias”.

Situação de Salto

“A situação é crítica. Houve uma explosão de casos desde a última segunda-feira (1º). Estamos acompanhando isso no hospital, até por conta do encerramento do contrato com o IBDAH, temos uma pessoa todos os dias lá dentro, acompanhando tudo o que ocorre dentro do hospital, e constatamos que o número de casos aumentou, não só de internação clínica, mas principalmente de ocupação de UTI”.

Contaminação dos jovens

“O que a gente percebe é que aquela ideia de que é acima dos 60, 70 anos, que estariam sofrendo essa doença, já caiu por terra. Estamos vendo cada vez mais jovens sendo internados e procurando atendimento médico”.

Leitos do hospital

“O hospital (municipal) de Salto tem 10 leitos de UTI. Desses 10 leitos, seis eram reservados para Covid-19 e quatro para não Covid-19. Além disso, e referente a C ovid-19, nós temos mais 10 leitos de internação clínica e mais 11 leitos de suporte respiratório. Dificilmente tínhamos uma ocupação muito grande, mas com a explosão de casos, a situação piorou. Tivemos que ultrapassar os seis leitos destinados à UTI e utilizar os outros quatro leitos, ou seja, estamos com 10 pessoas internadas na UTI com Covid-19. Fora isso, os leitos de suporte respiratório e internação clínica também bateram em 90% praticamente, tanto que precisamos abrir mais oito leitos de internação, exclusivamente para Covid-19”.

Cirurgias adiadas

“Com isso (sem leitos de UTI disponíveis), as cirurgias eletivas, aquelas que podem esperar e que necessitam de internação clínica, casos em que a pessoa ficaria só um dia na UTI, como pós-operatório, essas cirurgias estão sendo adiadas devido a ocupação da UTI e também para preservar o cidadão, porque aumenta o risco dessa pessoa chegar no hospital sem Covid-19 e sair com Covid-19, em virtude da quantidade de pacientes que ali estão internados”.

Cresce o número de mortes

“O que estamos tendo é uma superlotação e, por conta dessa agressividade, não sei se é por conta da atual cepa (variante) ou por conta do maior público atingido, estamos tendo um maior número de óbitos. Isso faz com que as vagas de UTI encham e, as vezes falece alguém, e acaba abrindo novas vagas. Ainda não tivemos necessidade de remanejamento, mas se não tomarmos cuidado, se a população não colaborar, há sim a possibilidade de termos que solicitar vagas em outros hospitais e aí entra o problema do estado. As outras cidades também estão com problemas de lotação. A situação é crítica, pois há uma possibilidade de solicitarmos uma vaga para transferência de alguém e não encontrarmos essa vaga em outro hospital do estado”.

Falta médicos para UTI

“Estou preocupado por conta da explosão de casos que aconteceu na segunda-feira. Até então, tínhamos tranquilamente uma estrutura adaptada pelo que vinha acontecendo nas últimas semanas. Com a explosão de casos no início da semana, isso nos preocupou, tivemos que adotar medidas de contingenciamento como, por exemplo, a utilização de outros leitos que não eram previstos para Covid-19. Vamos supor que a gente resolva criar mais 10 leitos de UTI. Nós não temos hoje, no mercado, profissionais médicos capazes em condições de atender a UTI, porque existe uma escassez de profissionais de UTI no mercado de trabalho. Até por conta da enorme procura dos hospitais. Esse problema não é exclusivo do hospital de Salto. É possível constatar em hospitais de outras cidades que estão faltando profissionais médicos”.

Novos leitos na região

“Os leitos que vão ser criados (pelo governo estadual) irão para ‘vaga cross’, não são exclusivos para uma cidade. São leitos que vão ser instalados, provavelmente, em hospitais regionais, que visam atender a uma região e não um município específico. Provavelmente o Hospital Regional de Sorocaba deva receber de 10 a 20 leitos e esses leitos servirão para toda a região. E aí fica a pergunta: será que teremos profissionais médicos suficientes para atender essa nova demanda de UTI? Eu, sinceramente, tenho dúvidas em relação a isso”.

Toque de restrição

“A Prefeitura seguirá lidando com a fiscalização da mesma forma que já vinha fazendo em outras fases. Fiscalização, orientação e acompanhamento, mas temos um número insuficiente de profissionais. O que a gente pede encarecidamente é que a população faça sua parte. Que evite aglomerações e que denuncie as aglomerações. Em plena época de crise que nós vivemos, por exemplo, no último final de semana tivemos a inauguração de um estabelecimento comercial onde houve aglomeração de um povo que não estava usando máscara. Isso realmente é complicado, porque vai gerar lá na frente consequências. Vamos adotar medidas rígidas para que se evite aglomerações”.

Aulas presenciais

“Entendemos ser temerário manter as aulas presenciais, tanto que Salto suspendeu as aulas (na rede municipal), a princípio até a primeira quinzena de março, mas pelo que estamos verificando muito provavelmente as aulas presenciais só retornarão em abril por conta da atual situação. Claro que isso ainda vai depender de uma leitura do que vai acontecer nos próximos dias”.

Compre de vacinas pelo município

“Houve uma reunião na última segunda-feira dos municípios que foi encampada pela Frente Nacional dos Municípios, onde foi proposta a criação de um consórcio dos municípios para compra de vacinas, quando isso for autorizado, ou pela Legislação ou pela Justiça. Esse consórcio é de adesão espontânea, não é obrigatório, cada município manifesta seu interesse. Salto já manifestou o interesse em participar, por enquanto é apenas uma manifestação de interesse, e dependerá de uma aprovação da Câmara de Vereadores. Já está sendo feito um esboço jurídico desse consórcio, em breve iremos receber as minutas do projeto de lei, que vamos adaptar ao nosso município para depois seja apresentado ao Legislativo. Caso se concretize esse consórcio, que pode ocorrer ainda nesse mês de março, e haja possibilidade de aquisição de vacinas, aí sim as cidades participantes vão se reunir e debater como será essa aquisição, o que cada município receberá. A ideia é que haja uma união de esforços para termos uma força maior para negociar. Salto tem condições de comprar sua parte. Claro, que nessa situação precisaria verificar a dotação orçamentária, pode ser que talvez seja necessário uma remanejamento, mas a ideia é que Salto invista na aquisição de vacinas. Porém, quero deixar claro que o governador João Doria, durante a videoconferência, garantiu que serão vacinados todos os moradores do Estado de São Paulo até o final do ano. Ele garantiu que haverá vacinas para todos os paulistas. É possível, então, que nem haja necessidade de compra da vacina pelos consórcio”.

População tem que colaborar

“A população precisa fazer sua parte. Evitar aglomerações, evitar deslocamentos desnecessários, evitar participar de eventos que possam propagar a contaminação e denunciar eventuais aglomerações. A orientação que damos, que não vá família no supermercado. Que vá apenas uma pessoa por família. Se perceber que há aglomeração dentro do supermercado, que não entre, espere e volte mais tarde. O município vai proceder uma fiscalização nesse sentido. Vou fazer outro apelo: vamos enfrentar um momento muito difícil, mais duas semanas de fase vermelha e isso significa mais duas semanas de comércios e prestação de serviços com restrições, principalmente o não essencial. Precisamos fortalecer e ajudar o comércio da cidade. Vamos ter uma conversa, inclusive com a Associação Comercial, para ampliar o serviço de delivery, por exemplo. Nós saltenses temos que buscar incentivar a venda de produtos na nossa cidade. Vamos comprar, buscar adquirir produtos no comércio saltense para que o prejuízo, que a gente sabe que virá, não seja tão grande”.

Hospital e IBDAH

“Havia muitas reclamações de falta de medicamentos, falta de médicos, e a presença de alguém lá dentro (funcionário da prefeitura) evita esse tipo de ruído. Algumas reclamações poderiam ser válidas, mas elas acabaram não acontecendo mais pela presença de alguém lá dentro. Outras reclamações percebemos que não condiz com a realidade. Vou dar um exemplo: recebi a reclamação de que faltava um determinado medicamento. Imediatamente entrei em contato com essa pessoa de confiança, ela foi questionar, e me mandou uma foto do estoque do medicamento, ou seja, o medicamento tinha no hospital. Problemas no atendimento do hospital ainda há, mesmo porque temos um instituto que está deixando o hospital. Então, é claro, que ele não vai ter a mesma atenção que teve no começo do contrato. Mas, de qualquer forma, aquelas reclamações que estávamos recebendo reduziram drasticamente com alguém de nossa confiança lá dentro acompanhando o dia a dia do hospital’.

Edital de licitação

“O edital vai ser publicado nos próximos dias para que não haja o erro do passado, pois a licitação feita anteriormente tinha muitos problemas, inclusive sobre dimensionamento do hospital, o que exigiu uma série de aditamentos. Para que não haja esses erros, tomamos um cuidado muito grande na formatação, não só do plano operativo como do edital de licitação. E obviamente isso exige mais tempo, nós temos profissionais extremamente capacitados no município e todos trabalhando na formatação desse edital. Estamos agora analisando a questão jurídica, é bem possível que até sexta-feira (5) o edital esteja publicado”.

Menos dinheiro e mais serviços

“Nós entendemos que será possível reduzir esses valores. É claro que em termos de grandeza serão do mesmo patamar, mas haverá sim uma redução. Tudo vai depender de quem vai participar da licitação, mas a tendência é que reduza um pouco os valores que são pagos atualmente E os serviços serão adequados a atual situação. No edital irá constar uma série de serviços que não eram realizados até então”.

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