Partidos estimam de 5 mil a 6 mil votos para eleger um vereador nas eleições deste ano

Os líderes dos partidos de Salto acreditam que serão necessários entre 5 mil e 6 mil votos para conseguir uma das 11 cadeiras da Câmara dos Vereadores. Está será a primeira eleição em que os candidatos a vereador não poderão concorrer por meio de coligações.

O número de votos estimado tem como base o quociente eleitoral, que engloba apenas os votos válidos e é dividido pelo número de cadeiras em disputa. Votos brancos e nulos são descartados na equação.

De acordo com o setor de estatística do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo), Salto conta com 94.156 eleitores aptos a votar neste ano. No pleito de 2016, eram 86.030, o que representa elevação de 8,6%.

Na última eleição municipal, foram 60.273 votos válidos (86,97%), 5.112 nulos (7,38%) e 3.919 brancos. O índice de abstenção foi de 19,44%, ou seja, 16.726 eleitores não compareceram para votar.

Assim, o quociente eleitoral ficou em 3.545, que corresponde aos votos válidos divididos pelas 17 cadeiras atuais. A principal diferença neste ano é que não haverá coligações, o que em tese dá mais chances para partidos menores elegerem vereadores na “sobra”.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na eleição proporcional, é o partido que recebe as vagas, e não o candidato. Estarão eleitos aqueles que tenham recebido votos em número igual ou superior a 10% do quociente eleitoral.

Portanto, caso o indicador seja novamente de 3.545 votos, um partido que consiga 10.635 mil votos elegerá seus três vereadores mais bem votados.

As vagas não preenchidas desta forma serão distribuídas entre todos os partidos que participarem da eleição, independentemente de terem ou não atingido o quociente eleitoral, com base na média de cada legenda.

O impacto da mudança fica mais fácil de entender quando analisado o caso de Edival Preto, que foi o quarto candidato mais bem votado em Salto nas eleições de 2016, com 1.295 votos. Ele estava no PPS e não se elegeu porque a coligação não atingiu o quociente eleitoral. Se a mesma votação tivesse acontecido neste ano, o candidato teria chance de se eleger na sobra.

Contas

Coordenador da campanha do candidato Geraldo Garcia, do PP, Jesuíno Dutra acredita que o quociente eleitoral ficará entre 5 mil e 6 mil votos. Segundo ele, o objetivo do partido é fazer sete cadeiras.

“Em condições normais seria 6 mil. Se o comparecimento for menor ficará em torno de 5 mil. Nosso objetivo é conseguir sete cadeiras. Com o final das coligações e a redução de cadeiras, o pleito se tornou mais difícil para os partidos. Mesmo sem a necessidade de atingir o quociente eleitoral irão eleger vereadores os partidos com maior média de votos. 16 partidos lançaram candidatos para 11 vagas, com isso apenas sete partidos deverão eleger vereadores”, justifica.

Dutra crê que mesmo com a pandemia, o eleitor saltense deverá ir às urnas nas eleições deste ano. “Acredito ainda na democracia, os eleitores sempre compareceram. Lógico que podemos ter um número menor devido à pandemia e o resultado final vai apresentar um número alto de abstenção, pois foi suspensa a obrigatoriedade da biometria e isso já eleva em mais de 10%, pois são eleitores que já ficariam fora do pleito, mas será contabilizada a ausência”, analisa.

Já Francisco Procópio, da coligação “Renovação em Dobro”, formada pelos partidos PL, PTB, PMN, Patriota, Avante, Podemos, PSC e PV, diz que a luta é para fazer uma cadeira por partido. “Estruturamos os partidos para cada um fazer, no mínimo, uma cadeira”, cita. A estimativa dele também é de 5,5 mil a 6 mil votos. “Devido a pandemia e a média histórica de brancos, nulos e abstenção, acreditamos que o coeficiente ficará entre 5,5 mil a 6 mil votos”.

Já o coordenador da campanha da coligação “Salto Renovando as Esperanças”, composta pelos partidos PT e PDT, David Ramos, também acredita que o quociente eleitoral deste ano ficará em torno de 5,5 mil votos. Ele acredita que é possível fazer três cadeiras na próxima Legislatura. “A princípio nosso planejamento é para que façamos três cadeiras, sendo duas pelo PT e uma pelo PDT. Tendo em vista que o PT terá candidato a prefeito e será beneficiado pelos votos de legenda”, explica.

Ramos cita ainda que a pandemia provocada pelo Covid-19 poderá ocasionar um número significativo de ausências na votação deste ano. “A respeito da pandemia, foi o que me fez pensar que o quociente ficará baixo, justamente pela falta de interesse por parte da população. Acredito que haverá uma movimentação maciça da população em criar um movimento para que as pessoas não saiam de casa para votar. Acredito que a abstenção fique em torno de 35%. Mas ainda assim, acredito que os votos da esquerda não sejam prejudicados, tendo em vista que nosso povo é fiel na votação, e não irão participar de nenhum movimento anti-eleição”, completa.

A coordenadora da campanha do Republicanos, Joyce Queiroz, também acredita que o quociente eleitoral deverá bater na casa de 5,5 mil votos. “Devido as mudanças para chapa pura, nessas eleições, o quociente eleitoral deve estar em torno de 5.500 votos. Essa é uma das possibilidades, respeitando claro a cláusula de barreira”, argumentou. Porém, Joyce não quis revelar o número de cadeiras que o partido pretende fazer nessas eleições. “O partido tem desempenhado grande trabalho para obtenção do maior número de cadeiras”, disse.

Sobre a eleição ocorrer mesmo com a pandemia vigente no país, a coordenadora do Republicanos se mostra otimista com a participação popular. “No nosso entendimento avaliamos que serão duas situações, sendo a primeira de conscientizar os eleitores da importância de exercer o direito da cidadania, através do voto e a segunda, de apresentarmos propostas para a população. Vale ressaltar que serão respeitadas as regras sanitárias e seguindo as recomendações de higiene. Agindo assim estaremos preservando a vida e zelando pela democracia”, finalizou.

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Caio Vinícius Dellagiustina

Jornalista

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