O posicionamento dos pais – casos de família

Nesses oito anos atuando no mercado de eventos em geral, sendo que em dois fiquei somente focada em casamentos, já vi de tudo! Este ano retomo minha função de assessora e organizadora de eventos num todo, então para qualquer festinha, não sou Sidnei Magal, mas “me chama que eu vouuu (…)”, pagando então, melhor ainda… (risos)

‘Palhacices’ a parte hoje vou entrar num assunto muito delicado, que de uma forma sutil, ou não, me incomoda e sei o quanto também machuca meus sonhadores, que é a questão dos pais separados.

Sempre que atendo um casal e chega a hora de sentar para fazermos roteiro e checklist, uma reunião cheia de sentimentos, ansiedades, expectativas, definimos e traçamos absolutamente todos os detalhes, até que chega na hora de montar o cortejo para cerimônia e lá vem a tão temida (por mim) frase dita pelos meus queridos sonhadores (sonhadores é a forma carinhosa que chamo meus noivos, sonhadores e sonhadoras; acreditem vocês ou não, mas o apelido carinhoso está pegando e eles mesmo se zoam, na brincadeira, dessa forma e eu acho o máximo, até porque é o que eu sempre digo, noiva todo mundo tem, mas só eu tenho as sonhadoras), mas voltando, sem mais delongas, eles me dizem: “Cerifada (que é como eles me chamam e eu me derreto toda) meus pais já avisaram que não querem entrar juntos e nem sentar perto um do outro”.

Quando ouvi isso pela primeira vez, que não vou saber dizer ao certo quando foi, mas em meados de 2012, eu achei tosca a atitude dos pais, mas como também é meu papel proporcionar soluções aos problemas que os sonhadores me trazem, dei lá minhas puladas e fiz um roteiro que se adequasse aquela situação.

Foto de Trung Nguyen no Pexels

Porém, dia após dia essa frase tem sido constante e eu confesso que já fui da raiva por esses pais ao ‘ah, que novidade!’ por várias vezes. Na minha cabeça não entrava (ou ainda não entra, mas estou em terapia) como que pode o ser humano chegar a um ponto de egoísmo e esquecer que ali naquele momento não é a hora nem a vez deles, que são pais e que deveriam engolir seus orgulhos e ressentimentos por seus filhos (até porque se não foi um estupro, na hora de fazer estava bom ne? Ou não (…)), por apenas uma hora talvez? Não quer dar a mão? Ok. Entra do lado, mas senta junto.

“Ah Fernanda mas sabe o que é, hoje meu pai é casado com outra mulher” – ouço isso também, ok, nada contra a madrasta, mas quem é a mãe?

Nesse momento querido (a) leitor (a) não se trata de estar casado, de ser ex, de ser viúvo, de ter se tornado homossexual, se trata de que ali são pais que estão casando seus filhos e eles merecem todo o cuidado e atenção, nessa hora não é por você pai e mãe, é pelos filhos.

Aí depois de tanto me revoltar com esse assunto e principalmente por ver meus sonhadores chorando na minha frente por essa questão de pais que fizeram e muitas vezes ainda fazem da organização do casamento deles um verdadeiro inferno por conta dessa ‘birrinha infantil’ de um não querer pegar na mão do outro, que fico assim meio ‘rabiosa’.

Mas então, até que um dia, uma sonhadora muito sabiamente me disse, “Cerifada, meus pais são assim porque minha mãe trocou ele por outro, e meus sogros são assim porque meu sogro batia na minha sogra”.

Engoli tudo isso aí que escrevi para vocês a seco. Doeu meu preconceito e minha opinião tão crítica. Parei e pensei que realmente cada um tem uma história e suas razões. Pessoas feridas, ferem.

Continuo não concordando com essas atitudes dos pais de causarem mais dor em seus filhos por não quererem estarem perto um do outro no altar (que é só isso que pedimos, as fotos nem fazemos juntos afinal não somos tão hipócritas). Entretanto hoje tenho procurado respeitar cada história e cada dor, afinal, não cuido apenas de um casal, ajudo a construir famílias e para que essas famílias no futuro não sejam os personagens citados acima, eu desejo me tornar um ser humano melhor, com mais compaixão, e torço para que haja também um pouco mais de amor para com o próximo, com suas dores e seus momentos, entre eles, o do casamento.

Vale lembrar aqui, que pai e mãe não é somente quem faz/gera, quando me refiro aos pais me refiro aqueles que criaram também, até porque eu mesma tenho um pai ‘original de fábrica’ que se eu vi cinco vezes em 35 anos foi muito (e ele mora no mesmo bairro que eu), mas Deus me deu um pai de criação que me adotou, este sim é meu pai, porém muitas vezes até os pais de adoção acabam por se separarem e infelizmente também não estão isentos de causar mais constrangimento aos sonhadores/noivos.

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