Luzia Vidal sobre a não eleição de mulheres: “A própria mulher levanta uma bandeira masculina”

Pela segunda legislatura consecutiva, a Câmara de Vereadores não terá uma representante mulher entre os parlamentares. Candidata mais votada pela terceira eleição consecutiva, a ex-vereadora Luzia Vidal, conversou com a reportagem do PRIMEIRAFEIRA nesta semana e falou sobre o que considera necessário para que a presença feminina na política saltense seja ainda mais ativa.

Segundo Luzia, as mulheres ainda são muito tímidas na política, quase sempre participando apenas para que o partido cumpra os requisitos necessários e que nem sempre as ideias propostas vão de encontro com o ideal da população como um todo. “As ideias levantadas pelas candidatas, na maioria das vezes são em defesa dos direitos de mulheres e crianças. No meu caso, a maioria dos votos veio de famílias com grande participação feminina”, disse. “Estamos em uma cidade onde a própria mulher levanta uma bandeira masculina. Não que haja machismo, mas falta a própria mulher entender que ela pode estar presente onde quiser. Se as mulheres votarem em mulheres terão uma ferramenta de mudança”, completou.

Apesar dos 608 votos, a candidata afirmou que a pandemia acabou prejudicando sua campanha. “Foi uma campanha atípica onde não teve o cara a cara com as famílias. Eu não sou uma mulher de mídia e acho que perdi uma fatia de eleitores justamente por não estar presente nas redes sociais. Muitos dos que entraram são ativos e isso colaborou. Faltaram algumas coisas (na campanha). Para ganhar as eleições é preciso estar presente”, explicou.

Frustrada pelo seu resultado e pela falta de mulheres no Legislativo, Luzia não pretende desistir da política tão fácil e fala até mesmo de uma candidatura feminina para as eleições de 2022, concorrendo à Câmara dos Deputados. “Neste momento estou agradecendo as pessoas. Mas logo estaremos conversando com o grupo político para ter uma mulher como candidata a deputada estadual, com uma campanha para que a mulher vote na mulher. Quem sabe começamos a quebrar esse preconceito e que ela veja que tenha força para mudar esse cenário”, finalizou.

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Caio Vinícius Dellagiustina

Jornalista

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