Lar Frederico Ozanam em Salto

Eu tenho uma tia-avó; irmã do meu falecido avô materno Matheus Martins Guerra, que mora no lar. Nilia Martins Guerra.

Ela mora no lar desde 2012. Ela escolheu morar. Ninguém a levou para lá. Ela foi, praticamente sozinha. Decidiu que se não tinha mais o José, seu companheiro de tanto tempo, falecido alguns anos antes, que o lógico seria ir morar em um lar de idosos.

Decidida como muitos dos Guerra, foi.]

E ela aprendeu a conviver com as amigas e os amigos que o Lar lhe deu.

Desde então, imaginando o que seria viver em um lar que passa a ser a tua casa de todos os dias, eu decidi ficar mais próxima dela.

Meus pais tem filhos e os filhos estão sempre junto deles em todos os momentos que eles necessitam. Nós nos desdobramos e ajudamos os dois na vida diária. Mas os dois tem um ao outro e se fazem companhia. No Lar, tua maior companhia são os cuidadores, enfermeiros, recreacionistas e seus colegas de moradia.

Sua vida fica menos trabalhosa mas mais afastada dos seus. Por isso decidi conviver mais de perto e levá-la aos encontros da nossa família, para que não perca o senso de família e sinta-se abandonada. Não está e todos os funcionários os cuidam bem. Eu via isso a cada final de semana de buscá-la para ficar com sua família. E nós a cuidamos bem também.

Tia Nilia está no Lar desde a administração de Antonio Dalla Vecchia e depois, Tarciso Benvenuto e Ulisses Franca como presidentes. Todos bons administradores. E depois veio a Cícera Gianotto Marzullo, que organizou o Lar de ótima maneira, com regras que os idosos e seus parentes aceitaram acatar, pois também em muito melhorou a convivência diária deles, inclusive pós advento da pandemia.

Depois disto, nunca mais pudemos fazer uma visita que fosse ao Lar, só e simplesmente para preservá-los de algum tipo de contágio, no que foi extremamente feliz e não houve, desde março de 2020 um único morador contaminado pela Covid-19. Tenho então muito o que agradecer a equipe.

Como todos os saltenses com quem conversei sobre, também gostaria de saber o por quê de um interventor na nossa casa dos nossos idosos.

Como todos os parentes de asilados, gostaria de saber o por quê num dia em que só eles estariam num restaurante fazenda, os idosos, “presos” no Lar há tanto tempo, não poderiam ir a passeio, espairecer em um lugar de beleza campestre e assim, esquecer que nem visitas, por cuidado extremo, podem de nós, ter. Achamos que o Lar está errado em nos manter longe dos nossos? Não. Não achamos, pois esta decisão faz com que a saúde deles seja preservada.

Aceito conversar com tia Nilia só por telefone, para que ela não adoeça por contato e venha por isto a falecer. A saúde da mulher é de ferro e bem cuidada, com certeza superará os 104 anos com que faleceu seu último irmão que vivia, tio Daniel, há três anos passados. Suas muitas dores não a derrubam.

Como ainda não sei de mais detalhes sobre a intervenção, só vim mesmo agradecer Cícera, Fernando, Aline, Adriane, Ana Lúcia e todos os outros profissionais do Lar, por tão bem cuidar da nossa tia e tia-avó.

A todos vocês: Muito obrigada por tanto.

P.S.: Se vocês soubessem o quanto os idosos tem medo de “não ter mais onde morar” ficariam tristes comigo, no mesmo grau em que estou. Prossigam todos fazendo suas doações para continuarmos a manter o Lar eficiente em bancar todas as altas contas de cuidar dos idosos assistidos. Eu prossigo. Um pouco de cada um, mantém o Lar em pé. 

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