Ivonete Adelina Rigolin Ferreira

Desde a noite de 21 de dezembro de 2019, quando nos encontramos no restaurante Scallet, quero escrever por e para você. Guardei fotos nossas desta noite, depois te envio.

Desde 1981 nos conhecemos, eu, aluna do 1º ano colegial da Escola Professora Leonor Fernandes da Silva e você, como professora da matéria português, dela.

Professoras de português sempre foram minha paixão verdadeira, me inspirava em vocês. Malu, Regina Célia Mazzuco Fanchini e você, Ivo amada.

A professora mais elegante que conheci na vida. Toda eram, mas você, sempre linda, sempre bem vestida, sempre de cabelos maravilhosamente cuidados. E as unhas? Eu, como boa moleca que era, não me atentava as suas unhas, mas notava as amigas, que queriam saber qual a mistura de cores você havia feito no final de semana e resultava na cor tão linda, que catálogo algum das lojas da cidade possuíam. Claro que não! E era a minha mais amada professora do colegial a usar cores que qualquer uma poderia ter e usar? Definitivamente não.

Você era e sempre será a especial, a diferente, a que nos tratava como iguais a você, mesmo que fossemos ainda adolescentes e ainda tivéssemos muito que ser ensinadas e a aprender. E aprendemos tanto!

Que maravilha o tempo das escolas públicas em que as respeitávamos como autoridade máxima em sala de aula, como aos nossos pais (eles exigiam isso de nós e obedecíamos) em casa e o quanto, mesmo que com certa preguiça, entendíamos que precisávamos sim estudar e saber para sempre o que havíamos aprendido.

Regina, mais comedida, nos fazia ler crônicas. Crescemos, desde a quinta, sexta série, a ler Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga… E que maravilha foi em nossas vidas, a coleção “Para gostar de ler”. Não precisava aprender a gostar de ler, já gostava desde que descobri a biblioteca pública da cidade. Mas o incentivo foi fantástico.

Você, como já tínhamos nossos maravilhosos 14, 15 anos, mocinhos e mocinhas, muito mais capazes que aos 11 ou 12, nos pôs a ler romances atemporais e eu os li com sofreguidão. Quero por exemplo, reler Grande Sertão: Veredas, conversar de novo com Diadorim de Guimarães Rosa e também sinto vontade de reencontrar a cadela Baleia, enquanto ela ainda vive, de Graciliano Ramos, lerei de novo por você Ivo, como se fosse novamente a ordem que nos dava e que, com vontade ou sem, obedecíamos.

Que bom poder te encontrar pelas ruas da cidade, que bom trocar abraços apertados contigo, professora. Agradecer por tudo que me ensinou e por me apresentar tão nobres escritores, não é algo que algum dia fugirá da minha memória, esta, que é tão encantada por quem sabe escrever, por quem me incentivou mais ainda a ler e por eu poder, com sua preciosa ajuda, contar historinhas assim, como esta que conto agora.

Beijo, abraço e reconhecimento Ivonete, por tudo que você me deu, tão graciosamente e desejando mesmo que eu pudesse disto, usufruir. Usufruo.

Obrigada, de coração.

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