Igrejas evangélicas ignoram quarentena e abrem as portas na cidade

Desde o início da pandemia provocada pelo novo coronavírus (Covid-19), o Governo do Estado de São Paulo recomendou que templos e igrejas evitassem missas, cultos e celebrações que provocassem aglomerações, com o objetivo de manter o isolamento social.

Em Salto, por exemplo, a Igreja Católica suspendeu as missas presenciais, realizando apenas celebrações virtuais. O mesmo acontece com o Centro Espírita, que não está mais realizando as reuniões semanais. A Congregação Cristã também descartou os cultos enquanto durar a pandemia. Mas, por outro lado, algumas igrejas evangélicas da cidade ignoram os pedidos das autoridades e seguem promovendo cultos, algumas, inclusive, mais de uma vez na semana. O fato tem causado indignação em muitos moradores, que não concordam em ver aglomerações perto de suas residências.

“Alguém precisa mostrar a super lotação que está tendo na igreja evangélica que fica na Avenida dos Imigrantes, aqui no Jardim das Nações. É um absurdo! Extremamente lotado, com as portas fechadas. É desesperador ver isso”, relatou a moradora D.C., que reside nas proximidades do local.

Outra reclamação é com relação ao funcionamento, aos domingos, de uma igreja evangélica no bairro São Gabriel. “O que estão fazendo de diferente para não chamar a atenção é que não estão tocando música”, conta G.S., morador do bairro.

Uma aposentada de 68 anos, moradora da Rua Sete de Setembro, disse não concordar com a postura que algumas igrejas estão tomando diante da situação que o país atravessa. “Tanta luta para que as pessoas fiquem em casa e igrejas insistindo em fazer culto. A oração não pode ser feita em casa?”, indaga.

No último domingo (17), por exemplo, em pelo menos cinco igrejas flagradas pela reportagem do PRIMEIRAFEIRA, os ambientes eram fechados, com pouca ventilação, e eram poucas as pessoas que faziam uso de máscaras ou luvas.

Em uma das situações, no Jardim das Nações, a avenida ficou tomada por carros dos fiéis. Dentro do templo religioso, os portões de entrada estavam fechados, mas era possível ouvir da rua a propagação das músicas e hinos.

No Centro da cidade, outra igreja evangélica realizava o culto abertamente, com os fiéis se cumprimentando sem qualquer tipo de proteção na porta do templo.

Também na região central, uma igreja permitia que os fiéis entrassem no templo por um único portão, o qual continha alguns “seguranças” na entrada. Dentro do templo, o culto era realizado normalmente.

Igrejas se explicam

Uma das igrejas consultadas pela reportagem justificou seu funcionamento baseado no Decreto 59.349. Porém, trata-se de um Decreto Municipal, válido apenas para a cidade de São Paulo.

Já outra igreja se limitou a dizer que está segura no Decreto Federal, que coloca igrejas e lotéricas como “serviços essenciais” e que utiliza menos de 20% da capacidade total.

Já a igreja do Jardim das Nações não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Fiscalização

Diante dessa situação, o PRIMEIRAFEIRA questionou a Prefeitura sobre a legalidade. Em respostas, o Poder Executivo disse que os templos religiosos estão amparados pela Constituição Federal desde que cumpram as medidas de segurança. “Conforme a Constituição Federal é assegurada o direito de exercer a assistência religiosa e o Poder Público Municipal não pode vedar o funcionamento de organizações religiosas – seguindo as normas de segurança – conforme permissão do Decreto Federal 10282 e Decreto Estadual 64481/2020”.

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Caio Vinícius Dellagiustina

Jornalista

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