Ettore Liberalesso e os Lugares de Memória – parte II

Meu amigo leitor e amiga leitora, você tem acompanhado por aqui uma boa prosa baseada no livro Lugares de Memória, com textos publicados por Ettore Liberalesso (1920-2012) em sua antiga coluna chamada “Arquivo”, no Jornal Taperá. O livro foi lançado como comemoração do centenário de nascimento daquele que tanto contou histórias sobre sua terra natal e sua gente.

Hoje, prosearemos um pouco sobre a segunda parte do livro, com o título “Histórias que me foram contadas”. Como já é sugerido, trata-se de narrativas que o memorialista saltense teve que buscar informações em fontes diversas, sendo os relatos orais grandes contribuidores para que a narrativa de Liberalesso fosse construída.

Em um dos textos, o saltense cita o historiador ituano Nardy Filho ao escrever sobre como este via a origem da estrada de Salto, o texto chama-se: Como um historiador ituano contava a história das origens da Estrada de Salto – publicado na coluna Arquivo, na edição de 05 de outubro de 1995, no Jornal Taperá.

Ettore cita um trecho de um texto publicado pelo ituano no jornal O Trabalhador, no ano de 1956: “A Câmara de Itu, levada nos bons propósitos de bem servir seus munícipes, resolve abrir uma estrada direta, ligando Itu a Salto. Seguiria essa estrada o caminho do sítio do finado sargento-mor Antônio Pacheco da Silva e daí, sempre em linha reta iria até o barranco do rio onde seria construída uma ponte.”

Liberalesso nos conta que os herdeiros do citado sargento-mor eram contra a construção dessa estrada direta, afinal, o trajeto passaria bem próximo a suas moradias. Ao instaurar uma confusão entre herdeiros e a Câmara de Itu, tendo esta vencida a causa, os primeiros acionaram o governo do Rio de Janeiro. A Câmara, por sua vez, não deu atenção e começou a construir a obra. O resultado? Tiveram que parar a construção sob ameaças com armas.

Um dos filhos do sargento, o Padre Antônio Pacheco da Silva, precisou intervir na história e fez uma mediação entre os irmãos. Após negociações, orações, apelos, entre outras estratégias do padre, finalmente os irmãos foram convencidos, na verdade o argumento do padre foi certeiro, disse que a estrada seria benéfica para Itu, Salto e aos “briguentos”, pois teriam suas terras até financeiramente valorizadas.

Após a proeza, o padre recebeu homenagens pelo “modo como procedera”. Os atos de louvores partiram da Câmara, do Governador, do Bispo, do capitão general…

Caso você tenha ficado curioso para saber mais de histórias que Ettore Liberalesso leu ou escutou, você não pode deixar de ler o “Lugares de Memória”. Um bom fim de semana a todos!

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