Ettore Liberalesso e os Lugares da Memória – Parte III

Como um notável memorialista, Ettore Liberalesso teve a sensibilidade ao analisar e descrever acontecimentos contemporâneos a ele próprio. Muitos desses acontecimentos é descrito em sua “Autobiografia Mesclada à História”, a última de suas obras lançada em vida, deixando marcada sua incansável trajetória para manter viva a memória de Salto e sua gente.

No livro “Lugares da Memória”, objeto de estudo desta série em comemoração aos 101 anos do autor saltense, existe na parte três, textos com relatos de acontecimentos vividos por Ettore, relatos de histórias que viu, analisou e descreveu. O título da referida parte é “Histórias que Vivi”.

Um dos textos nos chama muita atenção, é o “Nos quintalões das casas da Brasital, havia pão feito em casa, festas, brincadeiras e muita solidariedade”. Originalmente, o texto foi publicado na edição do dia 21 de dezembro de 1995, na Coluna Arquivo, presente no Jornal Taperá. No texto, o autor cita a compra de um terreno de 38.566 m² “para a construção de casas para operários de suas fábricas de tecido e de papel”. Ali, ao centro do terreno, haveria uma instalação de um tanque grande para que as roupas maiores dos moradores das referidas residências pudessem ser lavadas, o uso era coletivo.

Assim como os tanques, haveria grandes fornos de uso coletivo para que as pessoas assassem seus pães caseiros, tais espaços (de uso de aproximadamente sessenta famílias) eram os chamados quintalões. Nos espaços desse vasto terreno eram feitas outras manifestações que envolviam seus habitantes, como as festas juninas, festas natalinas, bailes para dança e etc. Ettore Liberalesso destaca as “traquinagens” dos meninos e suas correrias ao longo do vasto terreno. Após um dia de brincadeiras e correria, segundo meu Patrono na Academia Saltense de Letras: “todos entravam em casa para tomar banho, ou apenas lavar os pés, jantar, talvez brincar um pouco na rua em frente de casa, depois rezar e dormir”. Era um outro ritmo de vida. Por falar em atividades coletivas, nota-se a reza em família como uma atividade não individual manifestada internamente no núcleo familiar.

Liberalesso cita algumas memórias de antigos moradores das Vilas Operárias e o caráter de sociabilidade que existia entre eles, trocavam pães assados nos pequenos fornos individuais ou nos grandes fornos coletivos, trocavam também outros mantimentos. Proseavam e trocavam experiências, e iam confraternizando.

Um bom fim de semana a todos!

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