Ettore Liberalesso e os Lugares da Memória – Parte I

“Cidade sem memória, cidade sem história, reza o ditado”. Assim começa o texto “Em 25 anos, a inauguração do Museu de Salto será comemorada como importante evento na história da cidade”, publicado originalmente por Ettore Liberalesso, na coluna Arquivo do jornal O Taperá, em 21 de dezembro de 1991. O texto é o único que compõe a primeira parte do livro Lugares da Memória, coletânea de textos organizados por Anita Liberalesso, Anicleide Zequini e eu.

No texto, o autor faz uma projeção para um Museu Municipal que comemoraria jubileu de prata após os vinte e cinco anos de fundação, sendo este o mesmo ano que Ettore escrevera tal texto. Neste ano, a instituição de salvaguarda, resgate, cuidado e divulgação da história, memória e patrimônio saltense completa trinta anos de fundação, uma data que deve ser lembrada pelo poder público da cidade visto a importância que um Museu tem para um município.

O memorialista saltense cita no texto como foi o trabalho para a formação do arquivo, do material que seria exposto e todo o processo de constituição daquele espaço de memória, destaco aqui duas citações do autor:

“Igualmente em anos recentes, um grupo de saltenses trabalhou anônima e voluntariamente para coletar o acervo de base do Museu, sob a orientação do Escritório Júlio Abe Wakahara, de São Paulo, contratado pela Prefeitura para tornar realidade o sonho de muitos, qual seja, o de ter um museu digno desse nome estabelecido na cidade.”

Em outro trecho, ainda destaca:

“Pretende ser, também, um museu dinâmico, um museu percurso, um museu de rua, podendo, a qualquer momento, ter um determinado setor substituído ou ampliado, receber novas peças que venham enriquecer seu acervo e aumentar a quantidade de painéis que, já em grande número, estão espalhados pela cidade.”

Pois bem, meus amigos e amigas, o museu que hoje tem por patrono o escritor Ettore Liberalesso fora elaborado por profissionais de extrema competência, doutores e doutoras na área de museologia, história, arquitetura, dentre outros. Ettore foi um personagem importante ali envolvido, foi o mediador entre as pessoas e os objetos que seriam musealizados, ele tinha um carinho muito grande pelo espaço. Ao longo do tempo, como é natural e importante, o museu passou por transformações, cresceu, foram introduzidas novas visões acerca da história da cidade e a memória de outros povos foi sendo contemplada. Hoje, às vésperas de completar trinta anos, é um exemplo a ser visto.

Liberalesso encerra o texto dizendo:

“Oxalá essas aspirações se concretizem em grandes realizações e que, daqui a 25 anos, em 13 de dezembro de 2016, a sessão Arquivo venha a ostentar uma crônica apropriadamente intitulada “Jubilei de Prata encontra o Museu de Salto ampliado e em grande efervescência cultural”.

Não deu tempo de ele escrever tal texto, partiu em 2012, mas ficou eternizado no nome da instituição do qual contribuiu para estar em pé e “efervescendo cultura”.

Um bom fim de semana a todos!

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