Em memória

Quando abri minhas mensagens no celular na manhã do último dia onze, me deparei com a triste notícia do falecimento da senhora Virgínia Liberalesso, escritora e minha confreira na Academia Saltense de Letras. Dona Virgínia, como a chamávamos, era esposa do meu patrono, o historiador saltense Ettore Liberalesso (1920-2012).

Ao longo de sua vida, a escritora pindamonhangabense deixou sua marca com a publicação de várias obras literárias como: Contos de Antigamente (2010); O Tesouro do Guaraú (2011); Devaneio (2013); História de Mani (2015) e Haicais (2018). Atuou durante quarenta e cinco anos no jornalismo em nossa cidade.

Em julho de 1942, após aproximadamente quatro meses de noivado, Virgínia e Ettore se casaram e juntos construíram sua história, juntos ajudaram a construir a história da cidade de Salto. Fico imaginando a quantidade de memórias que passaram pelo lar que eles constituíram. Muitas delas foram publicadas em livros ou artigos em jornais.

Eu encontrava a Dona Virgínia nas reuniões mensais da ASLe ou nos eventos promovidos pela Academia, era muito bom vê-la entusiasmada com os acontecimentos da Semana Cultural Ettore Liberalesso. Muitas pessoas me disseram que Virgínia era uma pessoa que tinha o dom de fazer com que outras pessoas se sentissem bem, valorizava e motivava algum trabalho do outro. Comigo não foi diferente. Toda vez que nos encontrávamos eu me sentava ao lado dela para prosear um bocadinho, ela sempre comentava sobre algum texto que tinha lido aqui no dedinho de prosa, citava algum trecho que tinha chamado sua atenção e contribuía com algum comentário crítico e sempre positivo. A memória dela era espetacular, alguns trechos o próprio escritor desta coluna precisava vasculhar por alguns minutos na memória para lembrar e retribuir ao comentário da poetiza. Para mim, foi um privilégio e muito motivador saber que Virgínia Liberalesso era uma leitora assídua dos meus textos, receber comentários críticos então, nem me fale…

Com toda certeza Virgínia deixa saudades. É muito estranho olhar a cadeira de número 25 da Academia Saltense de Letras vazia. Porém, tenho igual certeza que está escrevendo poesia lá no céu, deixa sua obra e seu legado para cidade. Quem for estudar a literatura em nossa terra, passará pelas letras produzidas por dona Virgínia Liberalesso.

Encerro esta homenagem transcrevendo um dos seus haicais:

“Parte o trem veloz, Lenços e mãos se agitando.Talvez nunca mais.”

Virgínia Liberalesso

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