Em entrevista, presidente da Câmara revela planos para 2022

O presidente Cícero Landim recebeu na Câmara de Vereadores a reportagem do PRIMEIRAFEIRA, no última terça-feira (21), para uma entrevista exclusiva. Ele avaliou seu primeiro ano como chefe do Legislativo. Cícero também contou como vê o relacionamento com o Executivo, a expectativa para as eleições do próximo ano, a situação do município e os desafios à frente da Câmara.

Cícero Landim já acumula certa experiência no Legislativo saltense. Esse é o primeiro ano na presidência e o quinto ano como vereador. Em 2021, fez questão de imprimir seu toque pessoal, com a reorganização da Câmara. “Foi um ano de aprendizado, mas acho que foi um ano positivo. Tentamos organizar administrativamente, moralizar algumas situações que avaliávamos que não era legal. Como vereador havia uma série de situações que eu não concordava. As pessoas que estiveram à frente da Mesa da Câmara adotaram um posicionamento como se fosse ‘seu’, mas é ‘nosso’. É público. E o que mais quero é que seja o mais público possível. Se o povo não tiver acesso, não é a Casa do Povo”.

Mas encontrou desafios no caminho, com problemas que precisou administrar. “Fizemos algumas mudanças no Regimento Interno, na Lei Orgânica, mas por conta da Lei complementar 173/2020 não conseguimos fazer a reforma administrativa. Tentamos mexer no layout da Câmara, sem passar tinta na parede, resolvemos o problema da internet, por exemplo, que era algo que me incomodava muito, mas temos muitos problemas de infraestrutura. Outro dia a Câmara quase pegou fogo. Chamamos um eletricista às pressas e precisamos fazer uma gambiarra. Tudo aqui é gambiarra. Esse prédio aqui não tem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, o AVCB. Não posso criticar um comércio ou empresa se eu também não tenho. E não dá pra ter. Chamamos o engenheiro aqui e a única solução é desmanchar e fazer outro. Tentamos regularizar  esse prédio para fazer uma permuta, mas não acho a escritura”.

Planos para 2022

Diante da situação, Cícero estabeleceu que uma das principais metas até o final de seu mandato como presidente é realocar a Câmara de Vereadores para um novo espaço. A intenção é utilizar algum prédio público, mas caso nenhum espaço seja cedido pela Prefeitura, a Câmara deve abrir um processo licitatório para a aquisição de um prédio que atenda a demanda. “Vamos oficiar o prefeito em janeiro. O ofício está pronto, até protocolamos ontem (dia 20), pedindo um prédio, dentro das características que imaginamos, com um vão livre para o plenário e espaços administrativos. De preferência um prédio público. Eu acho que (a Prefeitura) tem, como por exemplo o prédio do Instituto Federal. Acredito que têm  outros prédios que estarão mudando. Por exemplo , o Atende Fácil, era um desejo do ex-prefeito levá-lo para a sede anterior do Instituto Federal. Tem ainda a questão daquele prédio da Vaca Mecânica, que quem cuida é a Nutriplus, mas não sei como está a relação da empresa com a prefeitura, se vai haver rompimento, mas faremos o rito legal. Feito isso, se a prefeitura disser que não tem, vamos abrir um chamamento público para adquirir um imóvel. Vamos fazer a mudança no próximo ano, com certeza. A não ser que haja algum impedimento legal”.

Cícero, entretanto, descarta a possibilidade de construir um novo prédio, na Praça dos Três Poderes. “Está descartada essa possibilidade. Fizemos um levantamento e para fazer uma obra do porte que a legislação exige para prédios públicos, custaria de 9 a 12 milhões de reais. E não podemos deixar vários espaços vazios com gastos. No atual prédio temos vários gabinetes vazios, ociosos. Hoje o gabinete do vereador está no celular e na rua. Hoje para fazermos um prédio desse tamanho, não vejo como um investimento. Só se fosse extremamente necessário, porque não vislumbro aumentarem o número de vereadores. Talvez diminuir. Hoje a Câmara é enxuta, mas fica cara porque temos um elefantão desse tamanho que não conseguimos usar adequadamente ”.

Corte de gastos

Cícero iniciou o mandato prometendo reduzir os gastos da Câmara onde fosse possível. E uma das formas que ele encontrou foi cortando um ‘benefício’ oferecido aos vereadores a cada viagem que faziam fora do município e que muitos deles extrapolavam, como noticiou o PRIMEIRAFEIRA em 2020. “Cortamos o benefício de R$ 80 que era oferecido ao vereador cada vez que ele saia daqui (em viagens). Enfrentamos os vereadores que não queriam permitir isso. Essa foi uma decisão minha e até membros da Mesa não concordaram. É um valor bem significativo e vereador recebe líquido cerca de cinco mil e trezentos reais por mês, então não justifica esse valor. Ainda mais vereador que, costumeiramente, na legislatura anterior, optavam de pegar o carro para ir para cidades vizinhas, como Itu, Indaiatuba, Sorocaba e Jundiaí, apenas para passear e comer”.

O uso do carro também da Câmara foi revisto. “Acabamos com isso e endurecemos a utilização do carro. Tem de ter justificativa, falar para onde vai. Antes, chegavam aqui, falavam onde iam e no meio do caminho mudavam. Se vai para um endereço, é para lá que vai. Se no meio do caminho mudou de ideia, então, volta. Tem que haver um controle. E outra, essa autorização vinha sempre depois da viagem. Agora não. Como ato da mesa, tem de haver um comunicado prévio, em que autorizo ou não”.

Relação com o Executivo

O presidente da Câmara, Cícero Landim, não considera boa a relação entre os poderes ao contrário do prefeito Laerte Sonsin ( veja mais na reportagem sobre a sabatina feita pelo Consórcio de Imprensa de Salto). Segundo ele, falta uma interlocução do Executivo para com o Legislativo em questões simples. “Não é boa (a relação). O Executivo não tem uma interlocução com a Câmara. Talvez entre o presidente e o prefeito existe uma relação republicana. Mas falando pela Casa, a Prefeitura não tem interlocução com a Câmara. Tanto é verdade que, algumas vezes, um projeto da Prefeitura cai até mesmo com voto do líder do Governo. Eles precisam ter um secretário que faça essa interlocução, pra explicar quando vem um projeto. Às vezes é um projeto contaminado politicamente, mas às vezes pode ser bom para a cidade. Então, precisa dessa pessoa que tenha conhecimento técnico, mas também seja político. É a mesma coisa que acontece em Brasília. O Governo Federal não tem isso e olha a m… que está aí.”

Cenário político para 2022

O ano de 2022 será marcado pelas eleições. Logo irão começar as definições dos nomes dos candidatos a deputados que representarão a região. Salto mais uma vez vive a expectativa de eleger um político local e, na visão do presidente da Câmara, existem bons nomes para isso. “Acho que há alguns nomes que reúnem condições política e estrutural para ser um deputado. E seria muito bom para a cidade. Mas aí é com o povo. Acho que nesse pleito (de 2022) ainda não, mas que temos nomes com condições para serem deputados, temos. O vice (Edemilson dos Santos) é um bom nome, o Fábio (Jorge) é um bom nome, Kiel é um bom nome, Saudino também é um bom nome. O Angelo (Nucci), o Thiago (Isola)… são pessoas que permeiam politicamente e tem preparo, comparado com o que tem lá”. Questionado sobre uma candidatura sua, respondeu: “não é minha praia”.

O grande acerto

Questionado pelo PRIMEIRAFEIRA, Cícero fez uma auto-avaliação e destacou seu grande acerto no ano de 2021 como chefe do Legislativo. “Quando, me candidatei a presidente da Câmara, falei que não queria participar de barganha e esse foi meu maior acerto. Não queria chegar na presidência em troca de alguma coisa, como foi sugerido. Teve vereador que falou que votava em mim se eu mandasse a chefe de gabinete embora”.

O maior erro

E como nem só de virtudes vive um político, Cícero também foi honesto ao citar o que considera seu maior erro no ano de 2021. “Acho que o grande erro que cometi foi essa história de mudança de local. Deveria ter chegado e chamado todo mundo falando que procuraríamos um novo lugar. Demorei muito”, completou.

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