ELEIÇÕES 2020: Número de eleitores por seção eleitoral irá aumentar e votação não terá biometria

A realização das eleições municipais deste ano continua sofrendo modificações. Após a alteração das datas, uma guerra de recursos e a pandemia da Covid-19 atrasaram a licitação milionária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com objetivo de comprar novas urnas eletrônicas para as eleições deste ano. Apesar de manter o processo em andamento, o próprio TSE admite não haver mais tempo hábil para o uso dos equipamentos em novembro, quando os brasileiros escolherão prefeitos e vereadores.

Com menos urnas, a Justiça Eleitoral começou a fazer um remanejamento de eleitores. Com isso, a média de pessoas por cada seção eleitoral deverá saltar de 380 para 430.

A mudança provoca preocupação sobre filas e aglomerações nos locais de votação. Para diminuir os riscos de infecção, o TSE avalia ampliar a faixa de horário da votação das 8h às 20h, em vez de 8h às 17h, ganhando mais três horas. Outra medida que está sendo estudada pelo TSE é dividir as pessoas por faixa etária.

Procurado pela reportagem do PRIMEIRAFEIRA, o diretor do Cartório Eleitoral de Salto, Giulio Cesar Maglio, comentou sobre a situação. “Já sabemos como vai acontecer, mas ainda não realizamos a transformação das seções, pois estão finalizando o sistema. Por isso ainda não temos o número de seções e de eleitores. A única informação que possuímos é que os eleitores de algumas seções votarão em outras, mas ainda não foi definido”.

Sem biometria

Nesta semana, o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, decidiu excluir a obrigatoriedade de identificação biométrica, por meio de impressão digital, nas eleições municipais deste ano, tendo em vista o risco de contágio pelo novo coronavírus (Covid-19).

Dois fatores pesaram para essa decisão: primeiro, o leitor de impressões digitais não pode ser higienizado com frequência, como a cada utilização. Segundo, pesou o fato de que a identificação biométrica tende a causar filas maiores, favorecendo aglomerações, já que o processo é mais demorado do que a simples coleta de assinatura.

A decisão foi tomada após uma primeira reunião de técnicos do tribunal com os médicos David Uip, do Hospital Sírio Libanês, Marília Santini, da Fundação Fiocruz, e Luís Fernando Aranha Camargo, do Hospital Albert Einstein. As três instituições firmaram parceria com o TSE para a elaboração de um protocolo de segurança que reduza o risco de contágio durante a votação. Segundo o tribunal, a consultoria sanitária é prestada sem custos.

“Oficialmente não veio a informação, mas é praticamente certo que não será utilizada a biometria em razão da pandemia”, disse Giulio.

Convocação dos mesários

Ainda em virtude da pandemia, o Congresso Nacional promulgou há duas semanas uma emenda à Constituição que adiou o primeiro turno das eleições municipais de 4 de outubro para 15 de novembro. E o segundo turno, onde for necessário, foi alterado de 25 de outubro para 29 de novembro.

De acordo com o diretor do Cartório Eleitoral de Salto, as pessoas que irão trabalhar nas eleições deste ano serão chamadas nos próximos dias. “A convocação deve ocorrer nas próximas semanas até o início de agosto. Serão por volta de mil pessoas. Teremos menos mesários, mas será triplicado o número de apoios logísticos para dar informações do lado de fora das seções”, explicou Giulio César Maglio.

Importante destacar que Salto possui 94.209 eleitores aptos a votarem nas eleições deste ano. Desse total, 12 mil não fizeram a biometria.

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