Do sonho à gratidão

Eu pensei em tanta coisa para escrever para vocês este mês, pensei em falar de recomeços, do novo ‘normal’ ou anormal como dizem por aí, pensei em dar dicas, ideias, sugestões…

Mas sabe? De tudo que rodeou pela minha cabeça ao sentar para escrever este artigo o que mais ecoava era a palavra gratidão!

Quantas vezes já ouvimos que a gratidão gera milagre, quanto mais se é grato mais se tem, primeiro se é grato depois se é feliz, mas a gente fala isso ou até escreve no automático da vida e quando menos esperamos estamos chorando, sem esperança, nos adoecendo por não entender o real significado da gratidão.

De acordo com o dicionário, gratidão é um substantivo feminino, qualidade de quem é grato, reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxilio, um favor, etc; agradecimento.

Parece loucura ser grato por 2020, não? É, eu pensei nisso inúmeras vezes. Mas quer saber? Acredito que devemos sim sentir a gratidão por este ano, que nos afastou, mudou drasticamente nossa vida, nossa rotina, nossa saúde – física e mental (…). Porém um ano que nos mostrou tantas outras coisas. Eu me sentia num piloto automático: faz posts, impulsiona, faz conteúdos, grava vídeos, posta, agenda reuniões, atende sonhadoras, faz casamento, escreve artigo para o primeira feira (…). Até que de um dia para outro tudo se transformou. O que era uma loucura, eu achava muitas vezes uma insanidade a vida que eu levava, me trouxe ao primeiro momento uma sensação de alívio e paz. “Ok, estamos todos em casa então tudo bem eu não ser a neura do trabalho, vamos curtir a vovó, vamos curtir o Be, vamos maratonar séries, assistir filmes, fazer o que não faríamos se estivéssemos vivendo a vida ‘normal’.”

O tempo foi passando e com ele as manchetes foram ganhando destaques, o plantão de uma tv famosa era atualizado com números assustadores e o medo se instalou. A neura do trabalho deu espaço para a neura do ‘fique em casa’ a todo custo. Cheguei num momento que não saia nem para comprar pão no mercadinho na rua de cima. Era tudo online. Parei de trabalhar (mas não parei de escrever aqui para vocês….rsrs uhuhh), não conseguia ‘aceitar’ um casamento tão às avessas, com máscara, distanciamento, e uma série de protocolos, para mim isso era inadmissível.

Foi uma sucessão de dores, medos, angustias, agonias, perdas e adoeci. Não com o covid mas pelo covid. Minha saúde mental virou refém desse vírus. Me perdi. E do sentir falta de um abraço até achar um exagero sentir falta do mesmo, era questão de segundos. Passei a ficar fria achando um absurdo a pessoa chorar de saudade de alguém que está logo ali. Saudade para mim era um sentimento que eu nutria somente pelo Be, que no meio de tudo se foi….

O tal isolamento social se instalou sem dó em meu ser. E sim, fiquei isolada e sozinha, porque já que não queria contato, as pessoas foram se afastando, erradas elas não estavam…

Até que depois de tanto o silêncio ecoar nessa casa, eu pedi ajuda e fui me tratar, durante o tratamento entendi que tudo isso foi necessário para mim e para a humanidade. Particularmente percebi que a gente pode sim ficar sozinho, mas na solitude, porque a solidão mata; que pessoas sendo elas legais ou chatas são fundamentais para nossa evolução nesta terra; que trabalho demais causa desgaste, mas de menos causa estagnação; que os extremos nunca são sadios e que estar vivo é motivo de gratidão.

Eu não sei o que você aprendeu este ano, quais as lições que você levará para toda uma vida. Acredito que ainda temos muito que crescer, mas depois de um ano tão intensamente pesado, hoje desejo a leveza da gratidão, confiando que existe um propósito maior em tudo isso. Sonhos foram adiados, mas ainda poderão ser sonhados e realizados.

2021 está logo aí e meu desejo é que você seja grato pela sua saúde, pela sua vida, e pelas novas 365 oportunidades diárias que você terá para fazer diferença por onde for.

Feliz Natal e um próspero Ano Novo para você. Até breve.

Be era meu cachorro. Bernardo faleceu em 04.05.2020 com 9 anos, após uma cirurgia de retirada de um tumor entre a orelha e o olho direito, ao voltar da anestesia, sua agitação ocasionou duas paradas cardíaca.

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