Como nossos pais

-Mãe, por que quando a mãe faz macarrão, não coloca sobre ele o molho todo no centro dele, na travessa? – Sim, eu não dizia você ou senhora, eu dizia mãe de novo. Você, era íntimo e desrespeitoso até, para falar com a mãe ou o pai, no meu tempo de criança, e senhor e senhora sempre me soou tão frio, que nunca consegui dizer. Nem um, nem outro.

-Fica tão mais linda a apresentação.

-Não coloco, porque a primeira pessoa que comer, pega todo o molho e os outros terão que comer macarrão “sujo” de molho só. É por isso.

Os pais costumam saber, quando somos crianças, de coisas que não nos passam pela ideia antes de ser dito por eles. São mesmo, nossos primeiros professores.

E a vida toda segue assim, com a gente aprendendo, ensinando, comparando, descobrindo novas situações que às vezes se repetem, parecendo que é para marcar a coisa em nossa mente.

Atenta que era e ainda sou a tudo que acontecia ao meu redor, fui notando isso em todas as pessoas da minha convivência. Aos meus 10 anos de idade, Belchior lançou a música que dá título à esta historinha. A ouvia na voz dele e também na voz da Elis Regina e me apaixonava enfim, pela música popular brasileira, que tanta coisa tem a nos dizer, se resolvermos parar e analisar cada estrofe, cada verso.

Eu cresci e segui a vida normal de qualquer pessoa, estudei, casei, tive meus filhos, os ensinei, eles seguiram a vida deles e a música do Belchior sempre me lembrava de que somos, quase sempre, como nossos pais e temos as atitudes muito próximas das deles.

Eu, por exemplo, ainda lavo o arroz antes de o cozinhar. Aprendi com minha mãe. Ela não faz mais isso, mas eu, boa aluna que sempre fui, prossigo fazendo assim.

-Mãe, por que você não deixa o molho separado do macarrão e nós colocamos o quanto quisermos sobre ele?

-Porque talvez, não sobre molho e ainda tenha macarrão e aí, ninguém mais vai querer comer o macarrão, que deve até ficar meio colado, depois de acabar o molho, filho.

Mas, apesar de quase sempre sermos como nossos pais, o mundo gira e algumas pessoas, de outros tipos de ações, mudam o mundo e o macarrão de alguém.

Mãe, a Lourena faz macarrão e molho separado para o Yuri, ele prefere e ela o agrada.

“Não tanto ao mar, nem tanto à terra”.

Ah mãe… Se misturássemos nossas certezas à outras que nos cercavam, creio que a vida teria sido bem melhor, mais fácil, mais tranquila e com muito mais molho!

A Lou, devo dizer, possui muito mais sabedoria que nós.

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