Comércios voltam a reabrir na quarentena

Assim como aconteceu no último sábado (10), véspera de Dia das Mães, muitos comerciantes saltenses voltaram a reabrir as portas nesta semana. O PRIMEIRAFEIRA flagrou lojas de calçados, roupas, cosméticos e barbearias funcionando, o que descumpre o decreto de quarentena do governador do Estado de São Paulo, João Doria.

A reportagem encontrou mais de 10 lojas funcionando, algumas com meia porta aberta outras totalmente. Todas ofereciam álcool em gel na entrada para os clientes e exigiam o uso de máscara. Em alguns casos, um papel na porta do estabelecimento especificava a quantidade de pessoas que podiam permanecer no interior da loja.

Em uma loja de roupas no Centro, os fregueses podiam até provar as peças. A proprietária, uma empresária de 45 anos, que pediu para não ser identificada, contou que decidiu abrir no sábado porque outros comerciantes estavam trabalhando normalmente.

Já o dono de uma loja de roupas, de 53 anos, que também pediu anonimato, criticou a prorrogação da quarentena sem flexibilização do comércio. “Mandam a gente fechar, mas nos supermercados os clientes estão um em cima do outro. Tudo má-fé do governador”, criticou o homem.

O proprietário de uma barbearia, que também pediu para não ter o nome divulgado, disse que tomou a medida de voltar a atender seus clientes em retaliação ao governador João Doria, após a revogação da abertura parcial do comércio no último dia 8. Ele disse que tem atendido de maneira parcial e com cuidados para evitar o contágio pelo vírus. “Não posso continuar de portas fechadas, vendo minha situação financeira piorar cada vez mais. Sou autônomo e preciso trabalhar. É inadmissível um governador querer comparar a cidade de Salto com o que acontece na Capital. Não se pode colocar todos os municípios no mesmo balaio”, desabafou.

Em uma loja de calçados, a vendedora contou que o local está funcionando, porém é permitida a entrada de duas pessoas por vez.

Outros problemas

A reportagem do PRIMEIRAFEIRA também conversou com alguns proprietários de imobiliárias da cidade. E todos foram unânimes em afirmar que a situação da economia está mexendo com a vida das pessoas de formas diferentes.

“O que tenho percebido é que existem várias formas de se lidar com os comércios. Por exemplo, tenho proprietários de imóveis, que estão locados para comerciantes, em que o dono aceitou não cobrar aluguel enquanto durar essa pandemia. Também teve aquele proprietário que diminuiu o valor do aluguel entendendo a situação que o comerciante atravessa. E teve o mais rigoroso, que quer o dinheiro dele no dia do vencimento e não está nem aí para saber como o comerciante irá pagar”, explicou um dos responsáveis por imobiliárias de Salto, que preferiu não ter seu nome divulgado.

Fiscalização

Questionada, a Prefeitura de Salto informou que a Vigilância Sanitária está fiscalizando o funcionando do comércio e, quando nota a irregularidade, orienta e envia a ocorrência. “O Departamento de Vigilância vem implementando desde o dia 4 de maio, um trabalho de fiscalização orientativa. Todo o trabalho é realizado de forma transparente, seguindo todas as normas pré-estabelecidas por órgãos fiscalizadores”, destacou a Prefeitura.

De acordo com a administração municipal, nesses dez dias de fiscalização, cerca de 70 estabelecimentos comerciais que atuavam em desconformidade com o decreto estadual e municipal. Porém, a Prefeitura garantiu que até o momento nenhum estabelecimento comercial foi multado. “Os proprietários dos estabelecimentos notificados são orientados para que atendam às notificações prévias da equipe de Vigilância Sanitária e adequando se necessário os seus estabelecimentos às exigências legais para evitar transtornos. Os procedimentos que estão sendo realizados são para garantir a segurança, a saúde da população de Salto neste momento de pandemia”, destacou.

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Caio Vinícius Dellagiustina

Jornalista

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