Com a palavra, o prefeito

Os integrantes do Consórcio de Imprensa de Salto tinham a missão de buscar várias respostas junto ao chefe do executivo. Afinal, o primeiro ano da Gestão Laerte Sonsin está chegando ao fim. Essa foi uma das primeiras ações conjuntas do Consórcio, que marca a união dos principais veículos de Comunicação de Salto (PRIMEIRAFEIRA, Jornal Taperá, Blog do Nelson Lisboa e o Portal de Notícias Terra Tavares), que tem por objetivo fortalecer o jornalismo profissional. O objetivo foi repercutir os questionamentos que são feitos nas ruas pela população. Para o prefeito, o ano foi “muito positivo”. Acompanhe as avaliações que o político fez sobre saúde, geração de empregos e, claro, sobre a grave falta d´água que atinge toda a cidade.

Relação com a Câmara

O embate político entre Executivo e Legislativo tornou-se comum. Por várias vezes, alguns vereadores, inclusive da base do Governo, reclamaram na tribuna, alegando falta de diálogo. Para o prefeito Laerte Sonsin, a situação é algo previsível, pois ele diz que é importante a liberdade entre os poderes. “Conseguimos imprimir uma série de pensamentos que nós tínhamos. Por exemplo, a Câmara de Vereadores, nós sabíamos que, num passado não tão distante, muitas das ações eram tratadas nessa mesa (no Gabinete do Prefeito). Então, muitas pautas, se não todas, eram tratadas na prefeitura. Essa ideia de que a situação tem sempre de elogiar e a oposição sempre criticar, conseguimos desmistificar. Meu relacionamento com a Câmara é excepcional, não tenho problema com nenhum dos vereadores. Assim como com o secretariado. É claro que alguns pensamentos divergentes acontecem, mas em nenhum momento há falta de respeito, de bater a mão na mesa”, afirmou.

Reforma Administrativa

Uma das primeiras pautas do Legislativo para o próximo ano deverá ser a votação da Reforma Administrativa, proposta pelo Executivo. O projeto deve prever a contratação de mais de 200 servidores, dos quais, parte deles comissionados. “Contrataram uma empresa no ano passado para fazer o projeto da reforma administrativa, mas esse projeto não atende a carência do município, não é adequado ao que o município precisa. Por conta disso, aproveitamos o trabalho, mas estamos refazendo a lei. Num primeiro momento devemos contratar de 200 a 300 servidores. Nossa ideia era reduzir para menos da metade os cargos comissionados, então, talvez (tenhamos) uns 80, 90 cargos comissionados.

Apenas na área da Saúde devem ser cerca de 100 profissionais contratados, num primeiro momento, para atender a demanda da secretaria. “Hoje, de 30 a 40 médicos são necessários. Profissionais de Saúde como um todo são 100. Claro que não serão 100 contratados logo no começo do ano que vem, 80 já seriam suficientes para atender a demanda”, esclareceu o prefeito.

Problemas na Saúde

Para Chefe do Executivo saltense é a falta de médicos que provoca os sérios problemas que são enfrentados pela população. Isso incluindo a realização de exames. Sem medo, Laerte disse que o compromisso é zerar as filas de espera. “Não temos pessoas para atender nas unidades básicas de saúde. E não basta ter um médico. Por que, na maioria das vezes, tem o retorno e dependendo do resultado do exame é preciso ir até um especialista. Então é uma cadeia de profissionais que não temos hoje. (A situação dos exames atrasados) incomoda, mas é um problema que vamos resolver. Então esse é o compromisso que assumimos. Mas precisamos de recursos, mão de obra e de tempo. Mesmo os pacientes que têm consultas previstas para fevereiro, março, abril, talvez, consigamos antecipar”, disse.

Porém, não se trata apenas de falta de mão de obra, mas falta de estrutura física nas unidades de Saúde. Duas delas apresentam graves problemas e obrigará o Executivo a investir dinheiro para a recuperação. Sobre a Clínica Nações Unidas II, o prefeito falou que a empresa responsável desistiu do contrato. Nesse caso, foi preciso uma nova licitação, que já está em andamento. Já na Clínica Rocha Moutonnée, a situação é ainda pior. “Construíram num local mal preparado, onde não deveria ter jamais uma construção. Na hora que fizemos a avaliação, descobrimos erros graves na construção. Não vou nem falar de projetos. A empresa foi obrigada a refazer uma série de serviços. Por exemplo, tinha um pontalete segurando o telhado. Isso, em um ano, iria desabar. Exigimos da empresa e a entrega deve ser no próximo ano. Outro problema, o piso. Não foi feita a drenagem. Num primeiro momento, foi feita uma medida paliativa para liberar o espaço, mas posteriormente vamos ter de investir e não é uma obra barata. É uma obra de mais de um milhão de reais para que a clínica possa ser aproveitada”, desabafou.

Hospital Municipal

O contrato do Hospital Municipal também foi um dos assuntos da entrevista. Com tranquilidade, o prefeito disse que não vê nenhum risco na realização de seguidos contratos emergenciais, e, voltou a falar, que o edital para a contratação de uma empresa definitiva já está em andamento. Sobre o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), o prefeito afirmou que a redução no custeio é uma tendência que deve ocorrer já no próximo ano, mas que vai utilizar outras formas de recursos para garantir o atendimento. “A Secretaria Estadual de Saúde, através das Diretorias Regionais de Saúde estão conversando com os AMEs sobre a redução do custeio, a possibilidade de realização de procedimentos, permitindo uma repactuação. No caso da Organização Social que não cumpriu o que deveria cumprir, ela será obrigada a devolver o valor, tanto que o município já entrou com uma ação, cobrando da organização valores referentes aos procedimentos que não foram realizados”, explicou.

Fortalecimento do Turismo

Como ocorreu no mundo todo, o setor do Turismo foi muito prejudicado por conta da pandemia do COVID-19. O prefeito Laerte Sonsin espera a retomada do crescimento no setor a partir de 2022. “Ano que vem quero aumentar (o turismo). Esse ano foi péssimo, por conta da pandemia, e por nossos equipamentos turísticos que estão fechados. E vou mais longe. Acreditamos que o turismo em 2022 e 2023 será ainda mais intenso”. Quanto ao Trem Republicano, ele explicou que as decisões cabem ao consórcio, que reúne integrantes de Salto e Itu, definindo as ações a serem implementadas. “Se por ventura tem uma ação, é por uma decisão do consórcio. Entendemos que o trem está sofrendo as consequências da pandemia. Algo que foi mencionado pelo gestor do Trem Republicano, ou seja, é de fora para dentro. O Trem não tem o foco de ser utilizados por saltenses e ituanos, mas sim por aqueles que visitam as cidades”.

Geração de empregos

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregado (Caged), a cidade de Salto, até outubro, estava com o saldo negativo de empregos. Ainda assim, o prefeito Laerte, cita novamente a pandemia do COVID-19 como entrave, mas aponta uma tendência de alta nos próximos anos. “Salto é uma cidade com atividades concentradas nas áreas comercial e de serviços. Na indústria essa geração não chega a 40%. Se analisar nossa curva do Caged, estávamos com saldo positivo até setembro, e, em outubro, virou negativo. Percebemos o mesmo fenômeno de abril, quando ocorreram as demissões do hospital. E, em outubro, também aconteceram essas demissões. Acreditamos que virá positivo novamente, em novembro e dezembro, até por conta das contratações de fim de ano e que, com isso, vamos virar o ano com saldo positivo. E um segundo ponto é que as políticas de empregabilidade demandam tempo. Você não atrai empregos em um mês, dois meses. Temos uma perspectiva absurda de geração de emprego para 2022. Vou citar um exemplo. A Ambev deve gerar mais de 500 empregos. O Centro de Distribuição da Ypê, mais 600. Então, são empresas que já estão se instalando. Pode ter certeza que 2022 será um ano de muito emprego”.

O vice-prefeito, Edemilson dos Santos, fez questão de falar que uma nova legislação para conceder incentivos ficais deve ser apresentada na Câmara de Vereadores a fim de trazer novas empresas para a cidade. “Será uma lei bem diferente de tudo aquilo que já viram”, revelou.

Mobilidade Urbana, Zona Azul e o Transporte Público

O trânsito deve sofrer mudanças drásticas em 2022, segundo o prefeito Laerte Sonsin. Tudo visando melhorias na mobilidade urbana, priorizando o transporte coletivo e punindo os infratores. Para isso, uma licitação está em andamento. “Já estão em fase de licitação a sinalização semafórica e a específica, como lombadas e lombo faixas. Radares também estão em licitação, para o ano que vem. Uma das formas de resolver a imprudência é mexer no bolso. Por isso vamos implementar o sistema de monitoramento para que não haja dúvidas. Passou no vermelho, vai estar lá, registrado”, ressaltou.

Além disso, um estudo para adequar as avenidas e planejar corretamente as novas vias deve ser contratado. “Nosso principal problema são as avenidas mal planejadas. Temos avenidas curvas e estreitas, que são chamariz para acidentes. São avenidas que, além de estreitas, não possuem recuos. A secretaria de Desenvolvimento Urbano vai contratar uma empresa de assessoria que vai replanejar o modal viário, inclusive no transporte urbano”.

A Zona Azul também foi pauta da entrevista, com o chefe do Executivo ressaltando que a pendência envolvendo a empresa DAC Transportes segue tramitando na Justiça e, até agora, nem Prefeitura nem os clientes da empresa sabem quando serão ressarcidos e qual o valor será devolvido aos cidadãos. O Prefeito ainda citou que o edital para contratação da nova empresa saíra em breve e justificou a demora com as seguidas mudanças na lei votadas nos últimos meses. “Tivemos alguns entraves legais, com mudanças na legislação ao longo desse período. A última foi publicada na sexta-feira, trazendo a gratuidade dos idosos, que havia sido excluída. Essa ausência de gratuidade impacta na licitação. Se tivesse soltado o edital de licitação mês passado, não poderia isentar os idosos, porque isso interfere no custo”, citou.

Em relação ao transporte público, Laerte falou que tem o interesse em subsidiar parte do valor para que diminua o custo do cidadão. Entretanto, para que aconteça, é preciso um aumento na arrecadação municipal “Vamos supor que decidíssemos subsidiar o transporte público e o munícipe usasse de graça. É uma possibilidade que custaria R$ 24 milhões ao ano, se considerar o atual padrão de custeio. De onde iríamos tirar? O que deixaríamos de fazer para custear o transporte público? Estamos fazendo um trabalho para aumentar e muito a arrecadação. Vamos imaginar que tivéssemos 50% a mais na arrecadação, talvez desse para bancar. Se Deus quiser, se nos próximos três anos conseguíssemos aumentar a arrecadação, porque não (subsidiar)?”.

Soluções para a falta d’água

O principal assunto na cidade é a falta de água nos ribeirões e, consequentemente, redução na distribuição para a população. O prefeito promete ações pontuais em 2022 que devem sanar, ao menos momentaneamente, a escassez de água nas torneiras do cidadão saltense. “Vamos implementar reservatórios pontuais de um milhão, dois milhões, três milhões de litros de água, que vão garantir a melhor reservação. Seis reservatórios já dariam uma grande ajuda na distribuição”, explicou. A previsão de investimento está na casa dos R$ 16 milhões e deve levar cerca de um ano e meio até que todos os reservatórios sejam concluídos. “Queremos construir também dez poços de captação profunda, mas isso exige tempo, investimento e a questão do transporte. Acreditamos que, com essas intervenções e os reservatórios que construiremos ano que vem, já irá melhorar a situação. Mas a solução definitiva só com a barragem do Piraí, as pequenas barragens que iremos implantar ao longo do Buru e a implementação de todo sistema de captação”, completou.

Auto avaliação

Concluído 25% de seu mandato, o prefeito Laerte Sonsin se auto avaliou como tendo feito um ótimo ano. Ele justificou que teve muitos desafios, citando os impedimentos que ocorreram sobretudo no primeiro semestre por conta da pandemia. “Temos de entender que é um ano atípico, que começou praticamente no segundo semestre. Mas, se considerar  a partir de julho, com a reabertura das atividades, entendemos que foi um ano muito positivo. O primeiro ponto a ser considerável (para a avaliação) foi a situação que encontramos. Tínhamos um déficit orçamentário de R$ 28 milhões e isso exigiu um esforço enorme e também contamos com um excesso de repasses, não apenas em Salto, mas em todo o território nacional”, disse. “Ao longo do ano, diversas ações foram realizadas para que esse déficit se transformasse, provavelmente, num superávit de R$ 6 milhões. Entendo como um balanço positivo. Apesar dos problemas, conseguimos realizar algumas ações para tocar a administração normalmente”, completou. Por fim, questionado sobre qual era a nota, de 0 a 10, para o seu Governo, Laerte Sonsin atribuiu-se 9,5.

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