Coisas da Vida

E quando a morte fria, te encontrou ainda durante o dia, nestes tempos de pandemia, foi que eu entendi, que de todos os meus amores, você era o maior, o melhor, o que me entendia, só e simplesmente por nunca ter sido teu o contrariar, contrapor e escarnecer.

E como eu gostava e sempre amarei teu modo de ser e de viver. Obrigada por tanto me ensinar.

Dias de luta, poucos, muito poucos de glória.

Foi assim tua vida e de nada reclamava, entendia que viver é sim sinônimo de lutar. Para viver, para comer, para morar, para sobreviver. Nada te foi fácil, nada te veio de ‘mão beijada’.

Mesmo assim sempre seguiu, sem reclamações de que em nada mudaria teu viver.

Acatava, aceitava que era e seria assim até o teu fim.

Tranquilo, encantador, solícito, doador de tempo, esse, que ninguém quase mais tem a dar, assim, do nada e por nada. As pessoas te procuravam e queriam tua companhia exatamente por isso.

Nunca te vi ser rude, nunca te percebi cruel, sempre admirei o semblante leve, o sorriso fácil estampado no rosto. Como podia, como conseguia se mostrar (por realmente o ser) sempre assim?

Dádiva era a tua vida. Que combinava com o modo despojado de quem nada de mais precisa na vida, além dela própria.

Sabedoria sem par, que vinha do tanto tempo em que gastava a fazer o que mais sabedoria te dava, quanto mais fazia, e eu admirava a quantidade de livros que citava e conhecia e de tantos autores de filosofia, de coisas da vida que você lia e a cada, mais aprendia.

Por que pessoas assim um dia se vão, sem que ainda exista uma perfeita aparelhagem de sugar todos os saberes da tua mente e deixá-los exposto em algum lugar que seria identificado com uma grande placa dizendo assim: “Eis aqui, tudo o que havia na mente deste ser que já partiu. Se quiser saber como bem viver, estuda e segue.”

A parte ruim, péssima na realidade era a parte de que um dia viria a adoecer.

Não estava na tua conta do viver, a parte do adoecer.

Talvez nem fosse mesmo necessário de acontecer e não aconteceria, não fosse a resolução de sabe-se lá quem, a que obra do destino, ou vai que o tal nada tenha que ver mesmo com isso e não programado, aconteceu o susto de uma doença que mais judia que mata, e que mesmo assim, leva muita gente embora para sempre. Para todo o sempre.

Gente que é parte da vida de outras gentes.

Gente que ama e á amado integralmente, gente que sabe viver e vive como você soube e viveu.

E quando a morte fria, ainda durante o dia, te levou do nosso viver, fiquei eu aqui, enquanto ainda te amava, em profunda tristeza, sabendo não mais te ouvir e não mais me ouvir e dar norte ao meu pensar, não tanto por falar, mas muito mais por me ouvir e só assim, já me fazer entender que a vida te foi breve, que a morte talvez tenha sido leve, mas que você deveria mesmo era ser eterno ao menos enquanto eterna, eu também fosse.

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