Coisas da Vida

Eu nunca mais vou falar com você

Eu nunca mais te vi e não mais vou te ver.

Eu nunca mais conversei só com você ou com todas as nossas amigas juntas e eram tantas, porque você sempre foi boa em estar rodeada de tanta gente.

Nós nunca mais fomos até Itu juntas, só para andar pelas ruas estreitas ou ir até a fábrica São Pedro para comprar calças jeans com valores em promoção, você e a irmã, eu só ia de companhia mesmo, que dinheiro era coisa que não fazia muito parte da minha vida e estava tudo bem, que o da passagem de ida e volta sempre tinha e a gente pensar em pegar carona, não rolava mesmo, eu era muito medrosa para isso.

De andarmos nós três, eu, você e sua irmã, que era minha amiga de sala de aula e passarmos por uma janela e eu te explicar que a gente deve dizer uma frase inteira, até andando mais devagar que se não, quem está do lado de dentro nem tem informação para fazer na mente o restante da história, da qual não ouviu nem uma frase toda e que isso era um pecado, para com a imaginação das pessoas e você rir, o riso que sempre foi tua marca registrada e eu pensar: Que pessoa feliz é essa!

Minha amiga, amiga da minha irmã, amiga de tantas amigas e tantas amigas irmãs que fizeram parte das nossas vidas ou da minha vida, que seja. Silvana e Selma, Márcia e Marlani, Vânia e Vera, Miriam e Love, Léia e Leni, Tamie e Mitie, Luzia e Lig, Dagmar e Rosimar, Márcia e Milene, Carla e Katinha e então, Ana e Bel. E aos meus quatorze, você se foi.

Todas nós, as mais próximas, perdemos o chão, o sentido da vida e a amiga feliz.

Se havia alguém feliz e aprontona, esse alguém era você! Fazia uma boa parceria com muitas de nós. Não sei em suas salas de aula, mas nas nossas, quem ia terminar o horário de aula, no pátio, éramos nós, os meninos lá, bonitinhos e comportados. Professor Valtinho dizia: “Tanta vontade de conversar, podem ir conversar lá fora.” E a gente obedecia. Tinha dias em que funcionava para que tivéssemos um pouco de vergonha, por estar atrapalhando a aula, mas em outros, era o total contrário e prosseguíamos o “converse” até a hora de iniciar a próxima aula. Nas do Célio Vendramini, ninguém se atrevia!

Só a Bel ficou orfã de irmã. Só ela sentiu a dor imensa de não mais te ver. Dor maior que de todas nós outras, juntas. E na idade em que já estávamos, acabamos por nos perder umas das outras e hoje os encontros serem somente leves e breves. Faz parte.

Mas a saudade e a emoção me pega, vez em quando ao lembrar “detalhinhos” das nossas vidas juntas, Ana, e são de me resolver a contar sobre a saudade que só sente um jovem, que se despediu de um amigo e que nunca saberá, como teria sido tua vida a mais, aqui com a gente.

Um beijo, um abraço apertado e toda essa saudade traduzida em boas lembranças que você nos deu e, assim, poder lembrar que para estar na memória de alguém como você está na de todas nós, o tempo em que aqui permaneceu, foi o suficiente para eternizar e dar sentido a palavra amizade.

Muito obrigada pela sua, Ana. Nesta vida, eu nunca mais vou falar com você. E sinto muito por isso.

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