Cerca de 250 cirurgias eletivas deixam de ser realizadas por mês no hospital de Salto

Desde o início da pandemia, em março de 2020, uma prioridade de atendimento é a internação de pessoas com Covid-19, principalmente com sintomas mais graves. Com isso, os pacientes “não urgentes” acabaram deixados em segundo plano. Essa medida acabou ocasionando uma grande quantidade de adiamentos das chamadas cirurgias eletivas, pois o leito que seria utilizado para este procedimento passou a ser destinado ao atendimento de pacientes com a Covid-19.

Devido ao agravo da pandemia, em novembro do ano passado, a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo publicou um decreto suspendendo o agendamento de novas cirurgias eletivas em hospitais públicos e privados do estado (antes disso, o governo federal também havia editado sobre o mesmo assunto). Importante explicar que eletivas são todas as cirurgias que não se enquadram em emergência, ou seja, não precisam ser feitas em um curto período de tempo quando a vida do paciente está em risco. Cirurgia de correção de miopia, catarata, retirada de hemorroida e laqueadura são alguns exemplos de cirurgias eletivas.

Um levantamento feito pelo PRIMEIRAFEIRA junto ao AME (Ambulatório Médico de Especialidades) da cidade constatou que entre janeiro e abril deste ano 979 procedimentos cirúrgicos deixaram de ser agendados em virtude da situação provocada pela pandemia do Covid-19. Os números mostram que, por mês, cerca de 250 procedimentos deixaram de ser agendados.

A maior procura foi pelo setor de Ortopedia, com 259 pedidos. Depois vem Cirurgia Geral (246), seguido por Ginecologia (116) e Urologia (113). Os pedidos de procedimentos cirúrgicos para Vascular totalizou 88, os de Otorrino somaram 81, e houve ainda 39 para Cirurgia Plástica e 37 para Cirurgias de Cabeça e Pescoço.

E a normalização do atendimento ainda é incerta para 2021. Nesta semana, o Ministério da Saúde destacou que com a necessidade de internação na maioria das cirurgias, ficou praticamente inviável manter o fluxo normal destas operações no cotidiano do hospital: tanto pelo volume do trabalho dos médicos — que ficaram sobrecarregados com as hospitalizações do novo coronavírus e não tiveram disponibilidade para as intervenções — quanto pela segurança dos pacientes, que ficariam expostos à Covid-19 em ambiente hospitalar — ainda mais com as recentes variações do vírus.

Apesar de toda dificuldade, o Hospital Municipal de Salto tenta se restabelecer. A previsão é de que ainda neste mês de maio os procedimentos ginecológicos sejam retomados e os demais retornem a partir de junho, de forma gradativa.

Vale lembrar que no mês de fevereiro, quando explodiu o surto da doença na cidade, o Hospital precisou reajustar os leitos de UTI. Isso fez com que, além dos seis leitos que já eram disponibilizados para pacientes com Covid-19, outros seis leitos também foram remanejados.

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