A importância de dizer “não”

No cotidiano atual vemos muitas pessoas com dificuldades em dizer “não”. É importante sabermos a diferença em ser uma pessoa educada e atenciosa e uma pessoa que quer ser boazinha o tempo todo para não magoar as pessoas ao seu redor. É fundamental saber que há uma linha muito tênue entre ser bonzinho e bobinho e é importante refletir qual dos dois papéis você está desempenhando. Quando você coloca as pessoas em primeiro lugar em sua vida, ao mesmo tempo você é colocado em segundo lugar na vida delas e isso é muito perigoso.

Afinal, por que é tão importante dizer “não”? O “não” é importante para que as pessoas tenham uma direção sobre o que devem fazer ou não, evitar um risco que pode correr, e também é importante para viver em sociedade, afinal, isso implica em obedecer às regras e normas impostas pela lei, além de ser um “não” também educativo e consequentemente dar limites.

Aprender a dizer “não” é um sinal de amadurecimento emocional, pois, quando você faz isso, aprendeu a olhar para si mesmo, para suas próprias necessidades. Não é fácil no começo falar “não”, acaba sendo desconfortável, mas é necessário e libertador, pois, quem não fala “não”, se sente angustiado, prejudica a si mesmo, sente tensão, aborrecido, tem uma imagem pobre de si mesmo, passa a ter conflitos interpessoais, não tem consciência do seu próprio valor e busca nas pessoas a sua aprovação e serem amadas, portanto, precisam desenvolver suas competências emocionais. Acreditam que serão amadas se falarem sim para tudo o que são solicitadas.

Dizer “não” é desconfortável tanto para quem fala como para quem ouve, a pessoa que recebe o “não” pode interpretar que o outro não gosta dela, sente angústia e pode ter uma sensação estranha. Há pessoas que ao dizer “não”, sente desconforto físico, como tremores, suor, dor no estômago, voz embargada, choram.

Ouvimos desde pequenos que temos que ser bonzinhos para as coisas darem certo ou conseguirmos algo que tanto quereremos, portanto, aprendemos que para ter carinho, amor, aprovação, temos que ser bonzinhos e fazermos aquilo que o outro sempre quer. Carregamos essa expectativa para nossa vida adulta, passamos a ser submissas, não ter voz, nos sentimos sem controle e indecisas. Na maioria das vezes, as pessoas têm dificuldade em dizer “não” porque também tem a sensação que estão arrancando do outro muitas possibilidades e coisas e se sente culpado por isso.

Como devemos então agir? Devemos estabelecer limites, ser educado ao falar o “não” e se colocar no lugar da pessoa, entender o desejo dela e mostrar com amor através de palavras e postura que não é possível realizar naquele momento, dizer que você gostaria muito de proporcionar isso, mas que naquele momento não consegue ou não pode fazer. Dessa forma, você mantêm o “não” e mostra de forma assertiva para que ela entenda e internalize o “não”.

Seja sincero ao negar o pedido e explique o motivo, você não precisa ser refém das necessidades alheias e, para isso, você precisa se posicionar. Cuide-se, preste atenção em suas necessidades, não se sinta culpado em não atender a necessidade do outro. Lembre-se: você não é obrigado a dizer sim para tudo e você não é uma pessoa ruim em dizer “não”. As pessoas só nos fazem, aquilo que permitimos que elas façam.

Busque o equilíbrio, você não precisa dizer “não” para tudo, você tem que ter empatia e saber que o sim também é importante, mas o “não” também é e buscar o equilíbrio é fundamental. Você não precisa ser radical, mas não se permita ser usado. Reflita antes de dizer somente o sim. Não passe por cima de suas necessidades, daquilo que você quer, somente para fazer a vontade do outro.

A mudança é possível, acredite nisso! Comece a exercitar o “não”, tenha clareza de suas prioridades. Quando você pára de dizer sim para todos, você tem mais tempo, mais energia e maior capacidade para fazer as coisas que realmente são importantes e mais recursos.

Patricia Zanetti Salvaterra da Silva – CRP 06/130220
Psicóloga

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Caio Vinícius Dellagiustina

Jornalista

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