2020

Este é o último dedinho de prosa do ano de 2020. Toda semana (menos na segunda sexta-feira de cada mês) nós proseamos sobre algum assunto diferente, seja na versão impressa do jornal Primeira Feira ou na versão online acessando o site do jornal.

Não foi um ano fácil! O vírus que fez com que uma boa parte da população ficasse em casa, saindo apenas para o que fosse realmente necessário, fez com que o humor de muitos se alterasse, isso junto ao fato de olharmos diariamente as notícias e nos depararmos com a quantidade enorme de pessoas que não resistiram a esse mal invisível aos olhos humanos e partiram, deixando saudades, deixando memórias, tristezas e um sentimento de medo do que pode ser no amanhã.

Para alguns religiosos, isso pode ser visto como um sinal do fim dos tempos, para alguns mais místicos, trata-se, talvez, de uma mensagem do universo diante dos problemas ambientais, guerras, e outras coisas que o ser humano causou no planeta Terra ao longo dos anos de sua existência, para outros, uma fatalidade biológica causada pela possível evolução de um vírus já existente, mas que não possuía propriedades para afetar ao ser humano. Independente da versão, o fato é que tal vírus alterou nosso modo de entender muitas coisas, as relações geopolíticas, econômicas e políticas foram fortemente afetadas. É fato que essa situação estará presente nos próximos livros didáticos, em questões de vestibulares ou outros estudos de cunho acadêmico ou não.

Em hipótese alguma quero romantizar este ano peculiar que estamos vivendo, mas para mim ficou um aprendizado muito grande: valorizar. Valorizar as coisas simples da vida. Mostrou-me como é bom um churrasco em um domingo a tarde apenas na presença da minha esposa e meus dois filhos. Mostrou que é possível nos reinventar e desenvolver novos hábitos sendo que, profissionalmente, tive que aprender a mexer em diversos aplicativos de vídeos para conduzir aulas de maneira remota. Por falar em aula, muitos pais puderam acompanhar de perto o trabalho de um professor, afinal suas casas (assim como dos professores) se tornaram escolas, extensões do trabalho, ao menos por um período no dia.

Sobre os hábitos, descobri como gosto de mexer com carnes, jogar um bom jogo de um game antigo ou apenas não fazer nada.

2020 não é um ano para se esquecer, é um ano para lembrarmos que é possível sermos mais humanos, é possível nos preocuparmos com o bem pessoal, mas sem esquecermos do bem coletivo, o isolamento e o uso de máscaras são exemplos disso. Para 2021, desejo que tenhamos uma cura para essa doença, desejo que o novo normal seja o de valorizar. Desejo que possamos continuar proseando por aqui, em paz, com saúde e com esperança.

Um 2021 melhor para todos nós!

Posts Relacionado

Amor em dose dupla

Eu tenho em minha mente a memória do dia dezenove de janeiro de 2020 como se fosse ontem. Na verdade a história começa no dia dezoito, por volta das onze horas da noite, quando começou a estourar a bolsa do Matias, os gêmeos estavam prestes